[Crítica] Crepúsculo de Aço

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Situado em um ambiente pós-apocaliptico, criado a imagem e semelhança do clássico de George Miller,  Mad Max, Crepúsculo de Aço insere o bailarino Patrick Swayze em um dos papéis em que o artista adorava transpor, o de action heroe. Nomad, seu personagem, é visto pela primeira vez meditando, de cabeça para baixo em meio a areia, concentrado no nada, à espera de levar um bote de seus opositores, homens que grunhem e de se escondem pela paisagem desértica.

As coreografias de luta fazem impressionar bem menos nesta imitação, quebrando um bocado do sentimento visto no filme original de Mel Gibson e companhia. Os aspectos visuais, já pitorescos nos filmes copiados, tornam-se ainda mais curiosos e risíveis neste, com figuras completamente distintas vivendo em um ambiente árido, sem vida, mas repleto de luxos que a escravidão alheia garante aos que ainda tem posses.

Os resquício de sociedade comum são vistos em aldeias de comércio, onde personagens bidimensionais se cruzam e entram em brigas toscas, semelhantes aos piores esquetes dos Trapalhões, com efeitos sonoros ridículos e maquiagens mal feitas, produzindo um aspecto de paródia involuntário, já que quase todos os momentos em que o Nomad entra em ação, soam como piadas, e de gosto totalmente duvidoso.

Não há praticamente subtexto nenhum, ou qualquer conteúdo de discussão, vide o vazio absoluto do script de Doug Lefler, responsável por alguns dos textos do seriado do Hercules protagonizado por Kevin Sorbo. A direção trôpega de Lance Hool é ligeiramente mais madura do que o visto em seu outro filme, Braddock II- O Início da Missão, mas tem em comum em ambas obras os aspectos de orçamento paupérrimo e supervalorização dos membros mais famosos do elenco, a exemplo do papel de Brion James (visto em Blade Runner, Quinto Elemento e Chrerry 2000), que faz um papel horrendo, personificando o confuso mentor/pícaro Tark,´de compleições fortes e penteado variando entre a extrema calvície e as madeixas loiras longas.

A batalha de bigas futuristas é de um conteúdo involuntariamente cômico, contendo carros de carnaval que sequer fazem menção a acelerador, freio ou qualquer compartimento de controle via pés. Apesar de Crepúsculo de Aço ser um filme de ação descompromissado, não há como descolar dele a pecha de ser um filme normativo, que tem por pressuposto ser algo sério, localizado no sub gênero de ação, mesmo que não haja qualquer luta interessante, tampouco garante-se adrenalina nos momentos em que o artificio é necessário, caindo então na vala comum, junto a tantos outros filmes genéricos, que buscam emular os bons momentos de sucessos comerciais.