[Crítica] Darkman: Vingança Sem Rosto

Em 1990, doze anos antes do primeiro Homem-Aranha, Sam Raimi traria aos cinema um filme com muitos elementos de quadrinhos em um produto carismático e caricato na medida. Darkman: Vingança Sem Rosto começa com um prólogo, mostrando o passado de Peyton Westlake (Liam Neeson), um cientista que descobriu a fórmula para produzir pele sintética. Não demora até que surjam interessados para tomar o seu trabalho e fazer proveito financeiro dele, assassinando então o personagem, que milagrosamente sobrevive apesar de ser dado como falecido, se escondendo nos subterrâneos da cidade, graças a sua aparência grotesca.

Após ocorrer o crime, ele decide lançar mão da própria invenção para desbaratar os planos dos bandidos, se fazendo passar pela maioria, obviamente com uma restrição, já que a imitação de pele só dura 99 minutos consecutivos quando é exposta a luz. Raimi dá vazão a um gore moderado, mostrando Weslake coberto de chagas e ataduras, com Neeson agindo como um bufão enlouquecido na maior parte do tempo, em uma performance divertidíssima, que por sua vez remete ao ocorrido nos seriados das antigas matinês.

O clima de sensacionalismo é devido a dois aspectos principais, sendo um o modo que Raimi filma as situações ocorridas com o protagonista e com os que estão nos seus arredores, como também a direção de arte, que apela para um clima cartunesco. O suspense também é pontuado pela música de Danny Elfman, que dão a dose final para a equação de Darkman casar com perfeição com todo o clima pulp proposto.

Raimi consegue entregar um filme conciso até em seus exageros visuais e temáticos, com um belo exemplar que ajudaria e muito a formar os clichês do sub-gênero dos filmes de super-heróis, ainda que tenha aqui uma carga autoral muito maior e um clima que remete demais ao ideário de filmes de terror do qual o diretor era especialista, provando também a versatilidade do cineasta em contar outros tipos de história, sem necessariamente se ver preso a sua zona de conforto.

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