Crítica | Deadsight

Deadsight começa silencioso, com Ben Neilson, personagem de Adam Seybold acordando em um hospital vazio e abandonado. O homem, com cegueira parcial se locomove com cuidado pelos corredores do hospital, com os olhos vendados e com uma algema presa a um pedaço de ferro. Ele vai tateando, caçando uma saída mas sem conseguir muito sucesso, chegando ao ponto de entrar em uma ambulância que se mantém imóvel por não ter chaves ou quem a dirija.

O filme de Jesse Thomas Cook é agressivo e sufocante. Seus personagens vivem em um ambiente agressivo e pós apocalíptico, mostrando um cenário em que um vírus que tomou a humanidade, causando um caos terrível. Não demora ser introduzida outra personagem, a policial grávida Mara Madigan (Liv Collins), uma oficial que ao sair de casa, acaba perdendo seu carro, roubado por uma infectada. Sua condição parece tornar ela mais sensível a condição de quase morta ta infectada, embora ela ainda não saiba exatamente o que ocorreu ou ocorre.

O fato de não haver explicação sobre os causos dá ao filme um charme único, perto do exploitation de filmes de zumbis e de infecção generalizada. A historia continua a se desenrolar de maneira silenciosa fora os combates entre os vivos e os doentes, como se refletir sobre como viver influísse no modo de sobreviver, e de fato, influi.

É improvável demais que os dois personagens em condições tão especiais consigam subsistir por tanto tempo na situação apresentada, e aos poucos, as condições que os inibem vão diminuindo, mas ter mais condições de viver não faz com que a existência deles seja mais fácil, ao contrário, pois ter mais mobilidade (no caso da mulher) e mais acesso a visão (no do homem) são fatores que fazem com que ambos tenham mais motivos para se amedrontar. É como se a privação das qualidade comuns a todos causasse neles um infortúnio, tornando-os comuns como a maioria dos que foram pegos pela enfermidade. Não há comprovação de que gravidez ou cegueira parcial deixem a pessoa imune a estranha doença que assola os humanos, até porque mal se sabe sua origem.

A questão tabu, de Ben ser um fora da lei enquanto Mara é uma policial é bem explorada durante os 81 minutos de filme, assim como a situação limite de mesmo com o mundo em ebulição, ela estar prestes a dar a luz, começando portanto uma nova vida e uma nova dinâmica e rotina. Há fragilidades no roteiro que Collins e Kevin Revie  escrevem para esse Deadsight, mas certamente é o menor dos problemas, pois Thomas Cook se esforça demais para dar uma aura diferenciada ao seu filme, mostrando uma violência gráfica comedida, graças obviamente a questão do orçamento para o longa ser muito baixo. Ele consegue fazer muito, mesmo com todas as restrições e entrega uma execução visceral e violenta, com um historia sucinta e honesta numa temática já  bastante esgotada.

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