[Crítica] Dumbo

Clássico da animação de 1941, Dumbo é ambientado num cenário circense, onde os animais são levados alegremente de trem de uma aldeia a outra a fim de entreter o público com seus números e gracinhas. Entre uma dessas viagens, uma atrapalhada cegonha entrega um filhote à senhora Jumbo, sendo o animalzinho tratado como motivo de chacota graças as suas orelhas avantajadas.

Dumbo é o apelido pejorativa que as elefantas mais idosas dão ao bebê, que é tratado mal não só por elas, mas também pelos humanos que frequentam o circo. Quem ajuda o protagonista é o ratinho Timóteo (Timothy Q. Mouse, no original), como propósito de subversão ao clichê de que os elefantes teriam fobia de pequenos roedores. Timóteo se mostra como a voz da razão do elefantinho, uma representação bastante similar do que foi feito um ano antes na figura do Grilo Falante, em Pinóquio.

Após muita rejeição impensada, piorada pela questão de tentativas de integração em números circenses se mostrarem nulas, Dumbo é tornado um palhaço, uma classe considerada mais baixa na hierarquia do circo. Além disso, o juramento feito pelas senhoras demarca outra situação, de segregação de uma criança ainda, que é separada de sua mãe e é obrigada a trabalhar sem apoio algum daqueles que deveriam ser o seu povo.

A relação mais forte do longa certamente é a entre mãe e filho, com Jumbo sendo acorrentada sem entenderem o motivo que a fez agir de maneira descontrolada, sem ter qualquer percepção mínima de sensibilidade. A historia possui inúmeros momentos musicais, como era praxe nas animações da época. O trabalho musical e de som faz grafar ainda mais tanto a jornada de crescimento do herói quanto suas capacidades de planar, com um trabalho de som muito esmerado, que fazia o pesado animal se assemelhar a um avião quando conseguia enfim voar.

Os sessenta e quatro minutos de filme parecem até mais extensos, diante da mágica história apresentada, que tem um final abrupto, após finalmente o jovem assumir sua identidade como um animal fantástico e digno de honrarias e holofotes. Dumbo apesar de ser uma obra simples e sucinta levanta questionamentos a respeito de preconceito e intolerância de maneira bem palatável e não didática, em um função muito nobre por conseguir transmitir tais mensagens para uma plateia mais novas.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.