[Crítica] A Grande Muralha

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Misturando elementos de romances históricos e filmes de fantasia antigos, A Grande Muralha é o novo produto americano do diretor Zhang Yimou, o mesmo que entregou em 2012 o controverso Flores do Oriente. A história acompanha a dupla de mercenários europeus, William Garin (Matt Damon) e Pero Tovar (Pedro Pascal, de Narcos), que andam pelos arredores da grande muralha da China e se deparam com um conjunto de criaturas fantásticas.

Ao serem rendidos, eles entram nos domínios chineses, e veem uma armada fortemente organizada e munida de armaduras coloridas. Mesmo tão preparados para quaisquer ataques, o exército protetor perece perante as criaturas fantásticas, chamadas de Tao Tei pelos nativos.

O filme tenta fazer crer que o império que ali vive tem o monopólio das forças humanas graças a um pó preto – na verdade é apenas pólvora – mas a inteligência deles não corresponde a uma realidade onde eles seriam de fato os soberanos. Todas as boas estratégias de batalhas partem de Garin ou de Tovar, sobrando aos personagens de Andy Lau (Estrategista Wang) e Jing Tian (Comandante Lin Mei) apenas um show off de armas e de acrobacias em pleno ar.

As cenas de ação são muito bem conduzidas, como se espera de um diretor como Yimou, e já visto em Clã das Adagas Voadoras e Herói, a questão primordial é a pobreza do texto, o amontoado de clichês e até a confusa geografia do reino, que tem uma configuração que não faz sentido algum, uma vez que a cidade real é completamente desguarnecida e alvo fácil para os inimigos.

A Grande Muralha é mais filme com o belo visual de Zhang Yimou, contudo, o texto faz o longa soar genérico como a maioria dos filmes de ação recente, repleto de soluções fúteis e banais para a solução de seus conflitos, personagens arquetípicos e interações emocionais sem a menor química entre as suas personagens.