Crítica | Hal Ashby

Hal Ashby era um diretor muito recluso, tímido e que não tinha muita afeição por exposição midiática e o filme homonimo, de Amy Scott consegue capturar muito bem isso, a começar pela trilha de música country, que remete as origens de Ashby, focando também no olhar para fora de Hollywood que o cineasta tinha.

O filme entrevista pessoas famosas, como Norman Jewson, Alexander Payne, Judy Apatow, Pablo ferro , Louis Gossett Jr, Jeff Bridges, John Voight, Robert Tiene, Caleb Deschanel, Adam McKay, Rosana Arquette, pessoas que trabalharam com o biografado e outras que só tinham admiração pela forma delicada que ele conduzia seus filmes. O documentário frisa que a melhor escola para um diretor é a sala de edição e demarca a fase que Hal era montador.

Amor Sem Barreiras e Ensima-me A Viver são bem enfocados, o primeiro por ser o filme que fez Ashby sentir vontade de dirigir e o outro por brincar com um estilo de vida que seria mal vistos pela sociedade em geral, em especial o segundo que falava de um rapaz que se relacionava com uma senhora de 80 anos. Sequer havia foto dos protagonistas no pôster. A ideia do cineasta era fazer arte e falar de historias alternativas, que normalmente não seriam encaradas por outros realizadores, sua ideia era fazer arte e a questionar, enquanto os estúdios só queriam fazer dinheiro.

Alguns de seus editores se recusavam a trabalhar, porque era comum ele fazer um trabalho ininterrupto de  24 horas, tal qual fazia quando montava filmes dos outros. Apesar de tímido era namorador e ele costumava perseguir as pessoas para trabalhar em seus filmes, e essas versões de sua identidade de fato não eram conhecidas do público geral, o retrato montado  sobre si é rico e vai muito além de um simples rememorar sua filmografia.

O documentário passa muito rápido a diretora tem total domínio sobre a obra e dramaticidade de Hal presente nos áudios das fitas cassetes dão um grande tom a exploração de suas memórias e do que se fala sobre seus filmes, desde os pontos altos, como Shampoo com Warren Beattie, até o abuso de cocaína enquanto realizada Esta Terra é Minha Terra. Outro ponto alto é quando Jane Fonda dá o depoimento sobre Ron Kovic, o mesmo que escreveu e inspirou Nascido em 4 de Julho e que foi uma das inspirações para a feitoria de Amargo Regresso, que tinha John Voight no elenco e que no set, só andava com cadeira de rodas.

Para Muito Além do Jardim, se destacam os problemas com roteiro e a facilidade que Ashby tinha em convencer os atores, incluindo ai Peter Sellers, que se comportou exemplarmente, ao contrário do que se esperava. Ashby tinha um tato com os atores enorme, todos os que trabalhavam consigo acreditavam serem o seu preferido ou preferida, e ele retirava deles o melhor. É triste notar o final de carreira, por não se adaptar como realizador comercial, não alcançando o sucesso de qualquer blockbusters. Mesmo sua filha, que teve uma criação a distância o admira, exatamente por notar que ele era um sujeito muito isolado, e com dificuldade de se relacionar com qualquer pessoa, aliás, o uso das cenas de seus filmes para ilustrar a infeliz descoberta de seu câncer não poderia ser um epitáfio melhor. Hal Ashby é um documentário que contem um pouco de jornalismo e muito de emoção.

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