[Crítica] Harry Potter e o Enigma do Príncipe

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Quinto filme da saga do menino bruxo, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, é o segundo episódio da octologia sob a batuta do diretor David Yates, que mais tarde dirigiu ainda as duas partes de As Relíquias da Morte. Na trama, Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) e seus comensais da morte estão em franca ascensão no mundo bruxo, cometendo seus assassinatos de forma indiscriminada e minando pouco a pouco o espaço que o separa de Harry, para onde conflui toda a sua fúria.

Essa etapa da história apresenta personagens já bastante amadurecidos e calejados. Yates faz uso de técnicas bem mais consistentes do que o seu arsenal técnico utilizado em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Entretanto, existem entraves que atrapalham consideravelmente o andamento do longa-metragem por vias mais adultas como, por exemplo, a plot amorosa que ocupa um tempo de tela desproporcional em relação a real importância do elemento romance para o andamento dos arcos dramáticos dos personagens centrais.

Apesar disso, talvez seja aqui o momento em que a franquia consegue emular a realidade que vivemos em sua ficção. O discurso de caça aos “sangue ruins” – diz-se dos bruxos filhos de ‘não bruxos’ – se assemelha muito aos movimentos fascistas ao redor do mundo, sobretudo ao nazismo e a pregação da raça ariana como soberana. Voldemort surge não só como um vilão mais palpável e crível, mas como um líder para um grupo de bruxos que o segue.

Em termos de roteiro, o filme não consegue traduzir nem um terço do conteúdo do texto original. Cenas muito importantes foram desprezadas ou subutilizadas. Embora, um texto sobreviva sem o outro fica evidente a carência dramática da versão cinematográfica. A montagem também carece de certo dinamismo, passando certa morosidade na resolução das subplots e tornando a experiência do espectador bastante cansativa.

Como ponto positivo, o longa apresenta as melhores atuações da octologia. Emma Watson novamente rouba a cena e o protagonismo, mas o destaque aqui fica para o vilão interpretado por Ralph Fiennes. A direção de elenco parece ter acertado a mão ao extrair dos atores emoções mais reais e ao migrar o centro cênico das faces dos atores para os eu gestual.

Pode-se dizer que O Enigma do Príncipe não faz um bom serviço ao pavimentar o caminho para o desfecho da saga. São grandes as falhas que fazem desse filme um dos mais frágeis dos oito. Ainda assim, os atores conseguem acertar o seu tom dramático, o que ajuda a camuflar parte dos defeitos. Entre erros e acertos, temos um filme burocrático, arrastado, mas fundamental para o pleno entendimento dos segredos que servem de insumos para o final da saga Harry Potter.

Texto de autoria Marlon Eduardo Faria.