Cinema

[Crítica] Hilda

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Hilda 1

Filme de Andres Clariond, o mexicano Hilda discorre sobre os desmandos de um patrão, focando em uma figura pitoresca para denunciar o abuso e assédio moral que membros das altas rodas normalmente impõe sobre homens e mulheres pobres, normalmente motivados unicamente pela possibilidade de o fazer sem maiores problemas além de alguns olhares de desprezo.

A base do roteiro explora duas figuras principais, a primeira delas mostrada já no início, na figura da socialite entediada e um bocada desequilibrada emocionalmente Suzanne Lemarchand , magistralmente interpretada por Veronica Langer, uma figura carente por essência, que abraça qualquer possibilidade de rompimento com a monotonia e solidão extrema que a afligem. Em seu discurso, há uma fala que soa possessiva e mandatária, mas que esconde uma estranha necessidade de dependência de outrem, manifestada através da fala a respeito do nome de possíveis governantas, como “Hilda, eu nunca tive uma Hilda”.

A personagem título é vivida por Adriana Paz. O “chamado” quase é recusado por ela, por medo de perder contato com seu marido e filhos, receio que obviamente é alcançado.O roteiro é baseado na obra de Marie N’Diaye, e explora questões graves, como a face ruim da globalização, a comum servilidade latina, mesmo em ambiente mexicano e o choque cultural entre enriquecidos e pobres. A mesma subserviência e troca parental vista em Que Horas Ela Volta? se manifesta neste de maneira jocosa, ainda que o caráter seja diferenciado.

A questão de engajamento político dos personagem é utilizado como despiste, como mais um tentativa da mulher rica em driblar seu vazio existencial. A posse que a mulher impõe não é tão baseada em egoísmo, e sim em uma manifestação de solitude, assumindo através desse aspecto o caráter de comédia do filme, apesar até do espírito denunciativo, servindo como um Tempos Modernos de escalas e acidez menores que o clássico de Chaplin.

A história paralela do filho de Suzanne é demonstrado como apenas uma distração pequena, já que todo o escopo da história passa pelos olhos da senhora, que pouco se importa com o destino do próprio rebento, ocupada sendo refém de sua insanidade, mantendo a demência viva através do sequestro que impôs a sua criada. Hilda mostra uma personagem digna de pena, que vive em um círculo vicioso, uma mulher incapaz de livrar-se dos vícios que a tornam um alguém tão distante de ser harmoniosa.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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