Cinema

Crítica | Histórias Que o Nosso Cinema (Não) Contava

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De Fernanda Pessoa, Histórias Que o Nosso Cinema (Não) Contava é um belo registro sobre uma fase peculiar da cinematografia do país, focando no movimento denominado pornochanchada. O modo de contar a história se dá através das cenas que fizeram parte desse movimento, com uma narrativa que desperta a curiosidade pelos filmes que Pessoa escolheu para contar sua história, e que impressionam pela precisão com que foram selecionadas e orquestradas.

Se discorre sobre o período colonial, do Império, e até mesmo sobre a Ditadura Militar, que era o período onde as chanchadas mais picantes ganharam seu espaço e notoriedade. Até quando é didático, o documentário acerta por não apelar para explicações óbvias, as discussões a respeito do capitalismo importado dos Estados Unidos é exemplificado em tela com um viés crítico.

De certa forma, o documentário propõe uma nova invenção de ideia social, discorrendo sobre minorais ao debochar da noção  de status quo da época. Ao ver como a burguesia tratava os seus empregados e como as mulheres eram vistas, dá-se para notar o caráter crítico do longa e de sua realizadora, sobre o quão conservadora e reacionária é a mentalidade dos brasileiros que mantém o poder no Brasil, seja na época da Ditadura Militar, que censurava toda arte nacional liberando apenas algumas poucas manifestações que reforçavam ideias tacanhas, bem como hoje, em que há perseguições disfarçadas de "opinião polêmica", que visam reclamar de qualquer produto com viés contestatório ligado as minorias tradicionalmente oprimidas.

Histórias Que o Nosso Cinema (Não) Contava dá uma nova visão sobre esse tipo de cinema extinto, que basicamente serve para mostrar como era o país nessa época. O estudo e a análise do discurso é levado de modo belo, singelo e sensível, tendo algumas semelhanças com Cinema Novo de Eryk Rocha, sendo esse até mais poderoso em alguns pontos, uma vez que demonstra com imagens que muitos dos filmes dessa época, execrados pela crítica e cinéfilos, continham em si mensagens que iam além dos corpos de belas mulheres e falas repletas de palavras de baixo calão, conseguindo enfim se extrair um bocado de contestação do cinema.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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