Cinema

[Crítica] Kung Fury

Compartilhar

kftop

Desde o lançamento do trailer em dezembro de 2013, Kung Fury mobilizou a internet. O projeto do sueco David Sandberg era produzir um curta-metragem de trinta minutos e disponibilizá-lo gratuitamente no YouTube, tudo financiado pelo kickstarter. Se as contribuições atingissem um milhão de dólares, seria produzido um longa. Infelizmente esta meta não foi atingida, apesar de o projeto ter arrecadado 630 mil dólares com mais de 17 mil colaboradores, algo impressionante para uma produção trash independente.

O pequeno filme conta a história de Kung Fury, um policial mestre em kung fu numa jornada pelo tempo em busca de Adolf Hitler. A história parece nonsense e babaca, e realmente é. Bem-vindo a Miami, 1985! Trata-se de uma homenagem às coisas esdrúxulas dos anos 1980, regadas com exagero, canastrice e produção barata. O protagonista que dá nome ao filme, interpretado pelo próprio Sandberg, reúne o máximo de clichês possível: policial que trabalha sozinho porque seu parceiro, considerado um pai, foi assassinado, e agora utiliza suas habilidades de luta adquiridas do nada para combater o crime. A origem dos poderes de Kung Fury é a coisa mais ridícula do mundo, uma caricatura sublime dos anos 1980.

O filme inteiro utiliza a grande técnica do chroma key e foi gravado no escritório/porão de Sandberg. As limitações técnicas e financeiras contribuíram para que o diretor utilizasse seus recursos da melhor forma possível, liberando sua criatividade de forma eficaz. A proposta foi apresentar um curta de aventura anos 80 com o máximo de exageros possíveis. O resultado final é espetacular. A estética oitentista aliada a alguns artifícios nostálgicos (tracking e imagem de VHS, música repleta de sintetizadores, frases de efeito babacas, só para citar alguns exemplos) criaram uma obra original abarrotada de clichês. Por mais paradoxal que possa soar, essa mistureba gerou algo com personalidade.

kf1Pouco antes do lançamento do curta, o mundo foi brindado com uma agradável surpresa: o videoclipe de True Survivor, música-tema do filme cantada pelo inigualável David Hasselhoff. O ator/cantor foi até a casa de Sandberg na Suécia para gravar o clipe e se deparou com uma pessoa tímida, mas dedicada àquilo que fazia. A namorada de Sandberg, ao ver o astro, caiu em lágrimas, dizendo ser inimaginável que aquela ideia nascida na garagem tenha ganhado vida. Hasselhoff gravou suas aparições do clipe naquele mesmo chroma key, e todos esses detalhes foram comentados pelo próprio ator neste vídeo. Ele gostou de participar do projeto e teceu diversos elogios a Sandberg.

Kung Fury mostrou ao mundo que um bom projeto pode ser realizado com a ajuda da internet. O kickstarter, apesar de ser deturpado por inúmeros oportunistas, ainda é uma ferramenta poderosa para a criação de conteúdo independente, desde filmes até jogos. Sandberg deu à luz uma obra extremamente divertida que virou um fenômeno. O diretor/ator sueco mostrou uma grande dedicação e competência na produção deste curta, tanto que acreditou no projeto e tirou 5 mil dólares do próprio bolso para gravar aquele trailer. Reserve trinta minutos de sua vida para conferir esta pérola trash da atualidade, mas por favor, assista ao trailer e ao clipe de Hasselhoff antes. Há um joguinho bem legal para celulares e PC, também vale a pena conferir.

Almighty

Ainda moleque, descobriu a existência de bons livros, mesmo com a escola mostrando o contrário em suas leituras obrigatórias. Na adolescência, começou a ouvir heavy metal e posteriormente aprendeu que a boa música não se resume a esse (ótimo) estilo. Formado em Direito.
Veja mais posts do Almighty
Compartilhar