Crítica | Legítimo Rei

Quem não recorda de Coração valente (filme de 1995 dirigido e estrelado por Mel Gibson)? Um épico e excelente longa com suas quase três horas, que conta a história verídica do revoltoso escocês William Wallace. Líder popular que liderou um pequeno exército de resistência ao jugo inglês.

Para quem gostou do filme, há um outro mais recente que é imperdível: Legítimo Rei (Outlaw King). Lançado esse ano, o filme dirigido por David Mackenzie apresenta a história de Robert the Bruce – o oitavo do seu nome (Chris Pine), filho do também chamado Robert the Bruce – o sétimo do seu nome (James Cosmo), Rei de uma Escócia subjugada pela Inglaterra em finais do século XIII e início do XIV. Foi justamente a sanha de domínio de todas as terras britânicas por parte do Rei Edward I (Stephen Dillane), da Inglaterra, que despertou a resistência revoltosa de William Wallace e seus seguidores.

Depois que o exército do Rei Edward I conseguiu capturar, executar e esquartejar o corpo de Wallace (ponto exato da história onde termina o filme de Gibson), começa a exibir partes de seu corpo pela Escócia. Aproximadamente no mesmo período Robert the Bruce – o pai (o VII) falece. Revoltada com o que o Rei Edward I faz com Wallace, parte da população escocesa, liderada por Robert the Bruce – o filho (o VIII), decide iniciar nova resistência ao Rei inglês. Sem adentrar em muitos detalhes para não gerar informação prévia (spoiler) sobre o filme, importa dizer que ele sofre derrotas, grandes perdas e desterro. Passa anos fugindo até se organizar e retornar para sua terra para lutar contra o Rei inglês (nesse momento já não mais Edward I, falecido, mas seu sucessor Edward II).

O ponto baixo do filme é a aceleração da trama para ficar dentro do padrão comercial, duas horas de duração. Fosse produzido com mais ousadia, e com trama desenvolvida mais em consonância com o espaçamento temporal da história real, a película alcançaria o nível das inesquecíveis como alcançou a de Gibson.

Legítimo Rei é uma bela produção. Locações fenomenais (a Escócia tem paisagens naturais deslumbrantes), figurinos e ambientações mais qua adequados e convincentes; fotografia que transmite a sensação de estarmos dentro da época e das cenas, com destacado papel na composição das emoções. Talvez uma pequena falta seja a trilha sonora, praticamente inexistente.

Como destaque final ficam as atuações de Pine e Dillane. Se a direção de Mackenzie (A Qualquer Custo) não chega a ser um primor, ao menos não compromete a qualidade do filme. A história de Robert the Bruce (o VIII) é fenomenal e cativante. Não há dúvidas de que merecia uma película dedicada a ela; poderia ser um pouco melhor, contudo. Importante saber que Robert the Bruce VIII é ascendente de James I da Inglaterra (reinou os dois países, unificado-os), da casa de Stuart, e que permanece como linhagem direta da atual família real britânica.

Texto de autoria de Marcos Pena Júnior.

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