Crítica | Lida Baarová

Especial para a TV alemã, Lida Baavorá também conhecido como Devil’s Mistress conta a história da atriz checa que dá nome ao filme, interpretada em sua juventude por Tatiana Pauhofová. Sua trajetória rumo ao estrelato começa quando com sua viagem a Berlim em busca de notoriedade, já que não conseguia papéis em seu país natal.

O filme é didático, ainda que possua um orçamento considerável em comparação com outros telefilmes. Os cenários, figurinos e aspectos visuais em geral são bem desenvolvidos. A trama demora um tempo mostrando os percalços de Lida e sua dificuldade em lidar com seu sotaque, e isso era algo importante, visto que acabavam de sair do cinema mudo. Não demora a ela achar um par, Gustav Frölich (Gedeon Burkhard, de Bastardos Inglórios), mas a lua de mel não demora a acabar.

Lida morreu nos anos 2000 e fez centenas de filmes, mas sua carreira foi cortada por conta do envolvimento que teve com Goebbels, e os elementos do romance que ali ocorreram são desenvolvidos aos poucos. O ministro se aproveita de algumas das fragilidades que a vida de ator que Frölich tem, para se fazer mais presente na vida da protagonista, no entanto, o olhar da moça para ele enquanto é abordado por jovens que querem seu autógrafo é estranho, pois aparentemente carrega admiração, mas também questionamento.

Os momentos mais dramáticos, onde o over action ganha força ficam um bocado caricatos, em especial por que Frölich é dublado por Martin Stránský e não por seu intérprete, assim como Goebbels, mas ao menos é dado espaço a Karl Markovics atuar, pois seus momentos mudos são os melhores de todo filme. Quando finalmente a moça decide se entregar a ele sua expressão é feia, quase como a de um monstro, semelhante a Max Schreck em Nosferatu de Murnau. As cenas que Goebbels chora por sua amada, logo depois de uma briga com Hitler dão o tom do quão novelesca é a produção, que tenta mostrar os mandantes do Terceiro Reich como passíveis de ciúmes e invejas.

Lida teve uma vida difícil após a guerra, transitava na época entre o cinema italiano e alemão, mas quando estava na Checoslováquia era tratada como traidora por ter se envolvido com amantes nazistas. O diretor Filipe Renc parece não ter tanta experiência para lidar com uma história de natureza tão complexa e cheia de camadas, pois segundo seus olhos, a postura do governo tcheco era quase tão cruel quanto os subordinados ao Fuhrer, e por mais que não houvesse santos em época de guerra, também não havia necessidade dessa generalização. Como dita pela própria Lida aos oitenta anos (feita por Zdenka Procházková), toda história contada por alguém possui invenções, mentiras e boatos que fingem ser verdade. Surpreendente como um filme assim tenha sido produzido e veiculado, ainda mais pelas características humanas de seus personagens, patéticos e simpáticos de certa forma.

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