Cinema

Crítica | Manu Eterno

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A história de Manu Eterno começa em 2002, segundo um apresentador de programas esportivos argentino. O filme apresentado por Ernesto Jerez busca fazer o mundo entender o fenômeno Manu Ginóbili,  o Ala-Armador do San Antonio Spurs, seja seu impacto no maior torneio de basquete do mundo, comandado por Greg Popovitch, ou fora dali.

As entrevistas são muito francas, protagonizadas por craques  como Kobe Bryant, Russell Westbrok, Kemba Walker, Dirk Nowtzky e Pau Gasol destacam a agilidade e entrega monstruosa com que o argentino jogava, sendo apenas o 57º jogador draftado em seu ano de estréia, ou seja, uma das ultimas escolhas, a derradeira  de seu time. É engraçado notar que os próprios dirigentes da NBA  não sabiam muito quem ele era, pois pronunciam seu nome errado, falando Ginôbile ao chamar ele ao centro do palco.

A parceria com Tim Duncan nos Spurs era grande, destacada pelo próprio astro americano, e correu a vida do parceiro, desde o tempo que tinha cabelos cheios, até quando já rareavam os pelos em sua cabeça – isso é inclusive destacado por Bruce Bowen como parte dos ritos de passagem do personagem que era Ginóbili. Notar as diferenças físicas do jogador em meio aos dezesseis anos de dedicação a mesma franquia. Até se fala um pouco sobre a trajetória do jogador na sua seleção nacional e seus títulos mundiais e desempenho em Olimpíadas, mas por mais que haja no cerne do pensamento de Manu a prioridade de se dedicar ao seu país, há pouca exploração da temática, fora evidentemente o titulo de 2002 em cima dos Estados Unidos de Paul Pierce e Reggie Miller.

O caráter deste especial de 45 minutos é mais jornalístico do que emotivo, as entrevistas apesar de carregadas de bastante emoção por parte de quem as dá, são feitas de um modo bastante preso a fórmula. Ao menos, é um bom registro dos feitos do basquetebolista que fez tanto sucesso e que sempre se entregou em qualquer partida, empreitada ou cancha em que se metesse.

Manu Eterno é um bom tributo, embora muito curto a legado que ele e sua geração de  ouro fizeram pelo esporte na Argentina, ainda lembrando de sua parceria com Fabricio Oberto, que correu com ele na seleção, na Europa e nos Spurs, sendo um verdadeiro co protagonista para muito além do filme. Os últimos momentos, os dois discutem como em uma entrevista, onde Manu destaca a rivalidade com Steve Nash e Kobe, mas foi de fato o tempo que derrubou o ala alto, magro e narigudo, que até pouco tempo, era o símbolo máximo da técnica de um time, mesmo quando era  opção no banco de reservas, mesmo quando estava a sombra de Duncan, sempre sendo uma estrela com brilho garantido.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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