Crítica | Marvin

Marvin é um filme que trata de pessoas comuns, usando o exemplo do seu personagem titulo, um jovem que nasce dentro de uma família bastante pobre e moradora de uma aldeia no interior da França e que depende de auxílios do governo para subsistir. Nesse ínterim ele começa a dar vazão aos seus sentimentos e desejos por pessoas do mesmo sexo, já criança e tem que lidar com a culpa proveniente do conservadorismo muito comum entre as mais pessoas mais simples, tendo de driblar o complexo processo da puberdade e seus demônios internos alem dos olhares e violências infelizmente comuns a uma sociedade retrograda como a da atualidade.

O filme de Anne Fontaine – de Agnus Dei e Coco Antes de Channel – não poupa seu espectador dos abusos que ocorrem com Marvin e om os que o orbitam, sem evidentemente ser explicito com relação aos abusos, agressões, assédios ou tentativas de fazer esses três atos. O roteiro é inteligente e consegue transitar bem entre a infância tímida onde ele era alvo de uma serie de preconceitos e rejeições até a puberdade onde ele conhece o teatro e sua vocação artística.

A segunda metade mostrando a vida mais madura do personagem perde um pouco de fôlego e força, dependendo demais do interprete do personagem mais velho, Finnegan Oldfield. Apesar do desempenho sensacional do mesmo, a maior parte das situações que ocorrem nesse momento guardam poucas ou nenhuma emoções realmente destacáveis, a fase dos confrontamentos claramente era outra.

Ao final há um pouco de resgate do caráter inicial de Marvin, com o personagem conversando com seu pai no novo ambiente em que vive, sob uma nova perspectiva, e por ter conseguido o que sempre buscou há um novo encarar da situação vista pelo seu parente. O roteiro aqui usa da obviedade para fazer duras críticas a hipocrisia vigente no olhar comum da população e na criação de expectativas que normalmente ocorre entre uma geração e outra da mesma família.

Facebook – Página e Grupo | Twitter Instagram.