Cinema

Crítica | Milagres do Amor

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Milagres do Amor é o novo drama turco do cineasta Mahsun Kirmizigül. Localizado na sociedade conservadora do país, o longa mostra a diferenciada história do casal Mizgin e Aziz. O filme é narrado por Mizgin (Biran Damla Yilmaz), que anteriormente havia se casado com Azis (Mert Turak), um homem de condição especial, com claras dependências físicas.

Este longa é a continuação de outro filme, e em seu início há um espaço para rememorar os fatos do primeiro filme, Mucize (lançado com o nome original, veiculado no Brasil somente ao serviço de streaming), indicando a fase romântica onde os dois personagens se conheciam, partindo então para um tomo dois, mais leve e engraçado, misturando elementos entre casamento com lua de mel na cidade grande, com um casal que tenta construir uma nova vida juntos, mesmo em um cenário diferente do habitual.

Apesar de toda a carga dramática existente, graças a condição de um dos seus protagonistas, o filme soar leve, mesmo com toda estética e abordagem típica dos romances folhetinescos. O dramalhão e a melancolia são bastante explorados, e normalmente a variação entre os aspectos de humor e drama não são tão fluídos.

O filme guarda algumas surpresas, mostrando um homem que apesar de ser excluído e escrachado por crianças, ainda consegue ter traços de heroísmo, superando seus próprios defeitos, para se tornar uma espécie de salvador. Esse caráter messiânico é um dos fatores que torna o filme ainda mais desinteressante, traço que se agrava ao longo do desenrolar dos fatos, com uma ascensão e recuperação física de Azis que de tão meteórica faz perguntar se não houve interferência do Divino.

A escolha do nome Milagres do Amor apesar de piegas, faz sentido, afinal o modo como o casal se posta ao final da história justifica a condição miraculosa. Os valores conversadores da sociedade turca é normalizada e envernizada em uma estética que claramente tenta emular os filmes românticos dos Estados Unidos e Inglaterra, sendo portanto um produto para exportação pensado com esse intuito, o que torna a normalização desses conceitos ainda mais complicados. É evidente que demonizar os costumes de um povo não é o ideal, mas tratar condições de opressão como algo romantizado se torna algo problemático, e mesmo excluindo isto da equação, a execução que Kirmizigül emprega também não ajuda, soando fraca até em comparação com outras abordagens mais novelescas.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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