[Crítica] Mulher do Pai

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Mulher do Pai é um filme que remonta uma questão básica, estabelecendo uma relação íntima e muito complicada entre filha e pai. Nalu, vivida por Maria Galant uma menina de apenas 16 anos, que está descobrindo como funciona a vida adulta, passando pela descoberta da sua sexualidade e dos desejos e anseios comuns a uma mulher e não mais a uma menina. Ela mora com o seu pai Ruben (Marat Descartes), um sujeito que ficou cego ainda jovem, e que por isso, necessita de cuidados especiais. O mote principal do filme de Cristiane Oliveira são as conturbadas questões a respeito da responsabilidade de tocar uma casa, variando entre o dever do pai e de sua herdeira.

A ausência da figura materna causa na moça um amadurecimento precoce em algumas questões. É função dela alimentar o pai e cuidar da casa, ao passo que a mesma não pode dar vazão aos sentimentos sexuais que começam a despertar em si, já que seu pai a vigia até quando ela está no telefone com as amigas. A falta se agrava pelo fato de que Olga, a matriarca falecida criou ambos de maneira super protetora, causando na relação entre eles uma estranha ligação emocional, mais mutuamente fraternal do que paternal, variando também para uma posse carnal.

Entre novos conhecimentos e descobertas, Nalu se percebe uma mulher parecida com a mãe, transformando a super proteção em um sentimento de possessividade, uma vez que sua maturidade não a faz capaz de lidar melhor com esse sentimento que não dessa forma. Uma das pessoas que consegue fazer ela lidar melhor com toda essa bagunça edipiana é sua professora, a progressista Rosario (Veronica Perrotta). Logo, a relação de mentora e pupila se modifica, passando a docente a ser uma figura que resume os ciúmes que a garota tem de seu pai.

Oliveira consegue montar um filme cuja fotografia é bastante bonita, valorizando os cenários do sul do país – próximos a fronteira com o Uruguai – mas o emocional do filme não corresponde a premissa estabelecida. A boa ideia por detrás do argumento esbarra em atuações mornas, com um texto que não ajuda a desenvolver a complexidade que deveria ser esta remontagem brasileira da obra de Sófocles.