Crítica | O Diabo e o Padre Amorth

Gabriele Amorth foi um padre famoso por executar exorcismos. Requisitado inclusive em documentários como Satan Lives, The Exorcist in the 21st Century, Os Rituais de Exorcismo e Vade Retro, Satanas, só para ficar em alguns. A surpresa foi ele ser encontrado por William Friedkin, diretor de O Exorcista, para protagonizar O Diabo e o Padre Amorth.

Outra surpresa é a duração do filme, apenas 68 minutos. Friedkin começa entrevistando o escritor do romance O ExorcistaWilliam Peter Blatty – a quem o longa é dedicado. Em suas palavras, seu livro foi inspirado num caso real de exorcismo, ocorrido em 1949, através do relato do padre William Bowdern. Grande parte da primeira metade do filme faz lembrar os extras do filme, com detalhes dos bastidos do filme de 1973.

Pouco tempo depois, se traça um perfil de Gabriele, que na juventude, foi da resistência ao governo fascista de Benito Mussolini. A altura do documentário, o padre já tinha 91 anos e estava executando o exorcismo a uma mulher de meia idade, chamada Cristina. Seria permitido ao diretor ir sozinho nas sessões de exorcismo, sem luzes e sem ninguém somente com uma câmera, e o que se vê é uma sequência longa, em uma sala pequena, lotada com a família da exorcizada. A única diferença visível na postura da mulher é a voz, em um tom gutural pouco convincente.

A estética do filme é bastante simplista e é curioso o formato que Friedkin escolheu. O começo de sua carreira, no documentário O Povo vs Paul Crump, de 1962, formato deixado de lado logo depois para que pudesse migrar para a ficção. Pouco se vê qualquer interferência no sentido de um maior apuro na direção da parte por parte do cineasta, e mesmo as referências bíblicas ocorridas durante a sessão são sub-aproveitadas e mal-explicadas.

A explicação mais plausível para a falta de marcas na direção seria a de espanto por parte do cineasta, que se sentiu particularmente impactado pelo que ocorreu consigo nas experiências que teve com o padre e Cristina. Sua perturbação é clara, inclusive na questão sensacionalista de uma ameaça de morte, feita pelo suposto possuidor de Cristina, que prometeu em Alatri – na Itália – que ele morreria caso exibisse o filme. As questões propostas por Friedkin precisam muito da fé do espectador para funcionarem, no entanto, o resultado do filme passa longe de ser desastroso, é apenas mediano e sem uma identidade definida, já que não sabe se é um documentário sobre o filme de 1973 ou sobre o padre especialista em exorcismos.

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