Crítica | O Diretor e o Jedi

O começo do documentário em longa metragem de Anthony Wonke se dá em meio a um discurso de Rian Johnson, de que ele conduziria o episódio 8 da franquia, o famigerado Os Últimos Jedi, filme esse que foi muito criticado por boa parte da fanbase. O Diretor e o Jedi brinca inicialmente com toda a expectativa prévia ao filme, mas não demora a mostrar os bastidores, do diretor e roteirista discutindo e ensaiando as cenas com Daisy Ridley e Mark Hammil, na intimidade de seu lar, junto ao produtor Ram Bergman.

Desde o início se percebe que esse não seria um documentário em making off ao estilo dos featurettes encomendados pelos estúdios e que passam no Youtube e passavam antes nos canais como MTV ou TNT, há realmente uma preocupação em investigar a origem das idéias e o modo como Johnson tentou orquestrar desde as cenas com maquetes, até as de CGI ou as que tem atores dentro de roupas que emulam alienígenas.

Para sanar a dúvida dos fãs  da franquia, que não acreditavam que Johnson realmente tinha liberdade para escrever o que bem entendesse, há uma cena que discute o momento imediatamente posterior ao final de O Despertar Da Força, com Luke recebendo seu sabre clássico, jogando-o de lado. Após explicar as razões para Hammil do porque ele faz isso, há cena imediatamente após isso, em que o interprete de Luke deixa claro o seu descontentamento com o rumo da historia assim como a divergência com aqueles fatos. Esse discordar foi aberta a imprensa e as redes sociais do ator e o fato de Wonke abordar isso em seu filme é algo realmente corajoso e ousado, uma vez que o filme analisado passou por um processo polêmico de analise da crítica e publico.

O filme não se limita a mostrar as cenas in loco em Skelling Michael, a ilha na costa da Irlanda que serviu de cenário para o isolamento de Skywalker, ou as cenas de treinamento com sabre de Daisy, mas também mostra  o uso dos animatronicos de escala grande, além de não necessitar das narrações mega enfadonhas que geralmente ocorriam nos extras e materiais especiais da trilogia prequel e clássica. Há uma leve influencia de Império dos Sonhos, filme de Kevin Burns que falava a respeito de Star Wars, Império Contra Ataca e Retorno de Jedi além do fenômeno da saga como um todo, mas a inspiração é muito mais no espírito do que no formato, há a ideia sim de mostrar que um cinema lendário estava ali sendo registrado, mas não há necessidade dourar a pílula, tampouco fingir que não houveram tensões ao construir uma obra envolvendo tanto ego, vaidade, dinheiro e paixão de fãs.

O reencontro de Mark Hammil com Frank Oz é bem legal, e claramente ambos se emocionaram ao se reencontrarem depois de tanto tempo. Outro momento que também consterna o publico são as partes que mostram Carrie Fisher, e o diretor acerta muito ao não tentar criar um clima solene com o fato dela não poder mais participar da franquia.

O Diretor e o Jedi investiga a gênese não só da direção de Johnson, mas também os primórdios de seu roteiro e as idéias que o fizeram chegar a esse ponto da história, massificando a ousadia do diretor que resolveu não seguir cartilha nenhuma ao construir sua historia, avançando sobre a mitologia de Guerra Nas Estrelas sem receio de incomodar fãs, e o fato de não condescendente nem com filme nem com o artista faz com que o trabalho documental soe bastante digno e honesto em seus esforços.

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