Crítica | Obscuro Barroco

Obscuro Barroco começa misturando ficção de documentário, focando na figura de Luana Muniz, uma transgênera folclórica, que ficou conhecida no mainstream pela icônica e engraçada frase Travesti Não é Bagunça. O longa, de apenas 60 minutos é narrado por Luana, em um ritmo prosaico, quase poético elucubrando sobre a sua vida, intimidade, condição e sobra a cidade carioca.

Evangelia Kranioti, a diretora é uma cineasta grega, uma artista visual que reside em Paris e trabalha também com fotografia. Seu trabalho em cinema anterior Exotica, Erotica, Etc. em 2015 e esse e outros trabalhos seus para dar voz a quem normalmente não tem. As imagens que ela registra durante a historia são muito belas, variando entre os becos da cidade e rodas de samba ou bailes onde mulheres trans e travestis dançam livremente.

O filme tem um formato de ensaio e a poesia da biografada, simples, com erros crassos de português e muita verdade são valorizados pela entonação de Muniz, uma mulher que é muito alegre mas que está triste pelo fato de estar envelhecendo, por estar se acabando. Ela viria a falecer antes mesmo da exibição desse filme em alguns festivais, entre eles, alguns internacionais, como os de Berlim, na Alemanha.

Por mais que o discurso seja válido libertário, o que se diz em Obscuro Barroco é muito pouco. Vale pelo registro biográfico e pela memória de Luana, mas não muito espaço para discussão, nem se levantam muitas questões. Ele existe só por existir, em memória de uma pessoa que sofreu muitos flagelos mas que ainda assim viveu de maneira alegre e até despreocupado de certa forma.

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