Cinema

Crítica | Parker

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Apesar de ser o ator mais legal do mundo, Jason Statham tem sua coleção de bombas. Dungeon Siege de Uwe Boll que o diga. Talvez seja uma simples questão de probabilidades, o cara faz em média três filmes por ano, mas o fato é que ele costuma estar em produções medianas ou abaixo disso. Seu mais recente lançamento está nessa categoria.

Em Parker (não, não é sobre o Homem-Aranha), Statham vive uma espécie de ladrão de bom coração, que tem como regra não ferir ninguém em seus assaltos super bem planejados. Após um trabalho, ele é traído, roubado e deixado para morrer por sua equipe. Surpresa nenhuma, ele sobrevive e parte em busca de ving... justiça, como ele diz. Apenas deixar as coisas certas. A sinopse já indica um filme bem comum, mas que poderia ser divertido caso fosse bem executado. Mas eis que surge um elemento estranho no meio disso e coloca tudo a perder. Elemento esse que atende pelo nome de Jennifer Lopez.

Difícil entender o que houve aqui. Parece que os produtores tinham em mãos, pronto, um roteiro padrão-Jason-Statham, e decidiram que isso não bastava. “Vamos acrescentar um tempero latino, por que não? Mistura ação com comédia romântica, agradar todos os públicos, sucesso garantido!” Ou seja, algo na linha do horrendo Encontro Explosivo, aquele com Tom Cruise e Cameron Diaz.

O resultado é uma personagem enxertada à força na história, depois de uma boa meia hora de filme, e que simplesmente não se encaixa com o que vinha sendo feito até então. Quando entra em cena a corretora de imóveis de Palm Beach, recém divorciada, com problemas financeiros e morando com a mãe pentelha, a impressão é que botaram um estagiário drogado pra fazer a edição (ou montagem) e ele colou dois filmes diferentes. Muda o clima, a fotografia, a trilha sonora, interrompe a trama para ficar tentando a todo custo criar alguma utilidade para a personagem, justificar sua presença. O detalhe mais patético é que até o cargo de interesse romântico do protagonista já estava preenchido, e não há triângulo amoroso ou reviravolta. Apenas a corretora doidinha pra dar pro charmoso ladrão, e ele nem aí. A única coisa boa nisso tudo é o breve instante em que ela aparece só de lingerie. Jennifer Lopez, com seus 43 anos, está de parabéns.

O que resta é lamentar o quão prejudicado foi o bom potencial que havia em Parker. Chover no molhado, mas Jason Statham interpretando ele mesmo nunca é ruim. Da mesma forma, não deixa de ser divertido ver Nick Nolte no papel que vem repetindo em seus últimos trabalhos: um velho cansado que fumou sem parar por 50 anos, dada sua extrema dificuldade pra FALAR. O diretor Taylor Hackford (de Ray e O Advogado do Diabo) mostra competência no gênero ação e entrega ótimas cenas, agressivas e sanguinolentas. Toda a sequência no carro em fuga após o assalto inicial é muito bem filmada. Outro destaque é a luta estilo Bourne com uma sensacional resolução quando o herói tem uma faca apontada contra seu rosto.

Contudo, esses são só pequenos alentos, o filme não consegue decolar. Mais um Mercenário que decepciona em sua aventura solo. Menos mal que veremos Jason Statham de novo ainda em 2013, torcendo para que seja numa produção melhor.

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Texto de autoria de Jackson Good.

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