Cinema

[Crítica] Rainha e País

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Rainhas e Pais - poster - Paris Filmes

A indústria cinematográfica britânica possuí características bem peculiares que a fazem distintas de outros países quando há coproduções, por exemplo. O lado cômico mais leve e mais crítico; as ponderações e retratações de épocas que remetem ao patriotismo e amor à realeza e à nação, no entanto, sempre deixando em evidência o comportamento das pessoas e suas funcionalidades perante o ambiente destacado no tempo, historicamente ou não.

Em Rainha e País, filme de John Boorman (Excalibur e Esperança e Glória), vemos a história do jovem Bill Rohan, que cresceu em uma pequena ilha, afastada das grandes cidades mas sem, consequentemente, ficar livre das interferências que o mundo em plena eferverscência de guerra poderia causar. Com sede em entrar para o exército e alimentar a linhagem bélica de sua família, ao completar 18 anos, Bill é convocado para o exército para a guerra das coreias, no qual E.U.A e Reino Unido apoiaram o país do sul enquanto o lado norte da divisão recebia o suporte de países socialistas/comunistas - isso ainda era bem aplicável na época - como União Soviética e China.

O filme faz algumas mesclas e não deixa transparecer exatamente sua proposta. Se é um romance que tem como pano de fundo a guerra, no qual o soldado se apaixona, vai para a guerra e assim mostra os melindres clichês que a história continuará acerca; se é uma sátira às guerras e ao patriotismo exagerado e como esses ambientes podem desviar e alterar as mentalidades e os comportamentos de quem está vivenciando tudo isto ou se, no final das contas, é só mais um drama sobre amizades, confiança e identificação. Essa contínua troca de gêneros durante as quase duas horas poderiam confundir o telespectador, mas creio que o filme não sofre este impacto e fica até um pouco fácil de ser absorvido na mudança do segundo para o terceiro ato.

A identificação e o carisma com o personagem esquisito e inescrupuloso (Percy) acontece bem e toda as cenas e o lado cômico giram em torno dele e do soldado Redmood (Pat Shortt). Mesmo que estereotipando o humor cínico e desajeitado, como um Mr. Bean, isso não aparenta um exagero ou excesso de carisma pelo personagem. A história tem um enredo bem simples, mesmo com um leve criticismo às visões do nacionalismo/patriotismo e também à rigidez do alto comando. Fizeram bem ao não dosar demais o romance e as cenas sentimentais, uma via não muito utilizada na obra.

A adesão à amizade, às traições e à convivência com ambientações hostis são um norte sucinto e trabalhado de maneira honesta, com esses escapes mais cômicos e descontraídos que permeiam a história e os personagens. A relação entre eles são a base e com isso o filme caminha bem. Há deslizes, exageros e um pouco de desleixo em quesitos mais técnicos, como a fotografia e uso de trilha sonora. Às vezes os personagens ficaram abobados em demasia, mas nada que não saia da caracterização do cinema inglês. É interessante como o filme parece entregar algo e surpreende quando não faz. Poderia ser duramente criticado, mas soube usar outros braços e referências a outros gêneros e estilos de condução do enredo. Porém, ainda assim não conseguiu ousar o bastante para sair da categoria de lugar-comum e da padronização linguística.

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Texto de autoria de  Adolfo Molina Neto

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