Crítica | Tolkien

O início de Tolkien, filme biográfico dirigido por Dome Karukoski se dá com uma cena fantástica, de luta dentro do contexto mitológico que o autor de Senhor dos Anéis escreveria alguns anos depois. Não demora a ser mostrado J.R.R. Tolkien, de Nicholas Holt, deitado em uma cama de uma das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, ondeserve e tem até uma posição de prestígio. O filme da Fox Searchlight talvez seja uma das ultimas produções mais graúdas do estúdio, que está sob risco de acabar, graças as decisões comerciais da Disney, que comprou a Fox e  suas companhias secundarias.

O filme não tem uma linha de tempo principal, varia muito entre o período adulto pré Guerra, durante o conflito e o pós, além de mostrar a infância do futuro escritor, que na época era conhecido com Ronald e era vivido por Harry Gilby, que aliás, tem um desempenho melhor e mais emocional que Hoult. É na fase infantil que o longa apresenta seus melhores momentos, pois a maior parte onde ele já é crescido, é envolto em alguns problemas narrativos sérios.

A trilha é manipuladora e isso se percebe já nos primeiros momentos, pois há uma tentativa de encurtar o jogo de sentimentos em clichês muito gratuitos, e que irritam o espectador que tem qualquer senso crítico. A parte romântica piora a trama ainda mais, soando excessivamente melodramática. O casal formado por Holt e por Lily Collins também não tem funciona, não há química, fato que complica demais o espectador julgar bem a historia como um todo.

A adaptação ganha ares de  uma cine biografia genérica, e que piora  por ter um início divertido e inventivo, misturando autor e obra em um som argumento. As idas e  voltas da narrativa, variando entre guerra, amor e infância cansam, não há um foco realmente certeiro em nenhum deles. O filme funciona fundamentalmente quando se permite ser onírico, nos sonhos do futuro autor, que se aventura por paisagens que lembram a Terra Média e o infortúnio de Frodo, em paralelo com a desolação de seu criador quando está no campo de batalha. Holt não segura bem o filme, é um protagonista com zero carisma. O final de Tolkien tenta evocar o lado escritor do protagonista, mas o faz de maneira tão piegas que boa parte do caráter épico de sua trajetória de vida e da sua obra são banalizadas. Karukoski tem uma mão pesada, e que não funciona na maior parte de seus longos 112 minutos.

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