Crítica | Um Homem Só

Dirigido por Cláudia Jouvin, Um Homem Só é um conto sobre um sujeito fracassado e preso a rotina. Arnaldo (Vladimir Brichta) está em um casamento que se aproxima do fim, em um emprego enfadonho, e não consegue cumprir sequer suas funções maritais básicas, como ter disposição sexual para se relacionar com a esposa que está em período de ovulação. Sua vida é cortada por uma novidade estranha, e não demora para o filme embarcar por um caminho que o faz se assemelhar com o cinema de ficção científica.

Após mais um dia terrível, ele ouve sobre a possibilidade louca de se clonar e colocar uma cópia mais dócil feita em laboratório no lugar de si mesmo em sua casa. Após conhecer a ruiva e fogosa Josy (Mariana Ximenes), ele decide se submeter ao estranho experimento, e antes que esse ocorra, acaba desistindo, dando aí uma guinada em sua moral, para fazer o que jamais fez: tomar atitude e sair da letargia.

A partir desse ponto a historia muda, deixando de ser mais um conto psicodélico para se tornar um exemplar de perseguição. A mistura de tipos diferentes de narrativa faz o resultado sofrer, uma vez que o que Jouvin propõe não soa nem como um sci-fi brasileiro completo, nem como um thriller minimamente interessante. No entanto, as escolhas da diretora na composição de seus cenários são interessantes, como por exemplo, a repartição em que o protagonista passa seu tempo tem predominância da cor azul, que contrasta com a monotonia e chatice de seu cotidiano monótono e repetitivo.

Os momentos finais são um pouco mais eletrizantes, mas não o suficiente para salvar o filme. Apesar de seu elenco estelar, não há grandes desempenhos. A tentativa de apelar para um cinema de gênero também não encontra êxito, fazendo de Um Homem Só apenas mais um produto carente de boas qualidades. Abaixo da linha medíocre.

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