Crítica | Ventos de Liberdade

Ventos de Liberdade é o novo longa do alemão Michael Herbig, o mesmo que fez Buddy e Lissi no Reino dos Birutas, e seu roteiro mostra um mundo em conflito, em 1979 em meio a Guerra Fria. Se passa na Alemanha Oriental, a parte do país germânico que tinha influencias “comunistas” e é baseado numa historia real. Tal qual ocorre normalmente com obras biográficas, essa também tem alguns muitos vícios, como um apelo emocional melodramático e um maniqueísmo que não combina com um visão sóbria do cenário político dos anos setenta.

Herbig não tem pudor em mostrar um socialismo doutrinador, nem em apresentar uma núcleo familiar que tem tudo, aparentemente, mas que vive numa situação de tensão grande. Há claramente um incomodo em viver dentro de um país cujo estado é forte, mas fora a influencia dentro das escolas, não há muitas mostras de condições de vida paupérrimas, no que tange o cotidiano dos Strelzyk. A tradução do que seria uma rotina realmente terrível não é bem feita, ao contrário, nem mesmo as questões ligadas a liberdade de pensamento são bem registradas nesse início.

A mão da direção é bem pesada, e isso faz com que o filme que gira em torno de uma estapafúrdia evasão do país através de um balão se torne ainda mais nonsense em sua abordagem, e pelo lado negativo, pois não há qualquer ironia na forma de contar historia, sobra artificialidade, tanto no modo como os fatos se desenrolam e nas atuações. Não ter verossimilhança causa estranhamento em absolutamente tudo.

Nem após a tentativa de saída da cidade de Thüringer modifica  a qualidade do quadro exposto. Se nota que o cerco ao redor da família aumenta e tenta-se estabelecer um nível de tensão típica das antigas fitas hollywoodianas ou britânicas de espionagem dos anos 60 e 70, mas sem o bom trabalho que normalmente esses filmes dispunham. É tudo muito caricato, quase como nos teatros baratos praticados por iniciantes, além de ter um texto que não ajuda, que não é sutil, não é complexo e se exime de qualquer nuance.

O filme deveria mostrar sofrimento, apreensão, mas só há combate de fato perto de uma hora de exibição, e além disso, é fruto apenas de um sonho do protagonista, Peter (Friedrich Mücke). Nem visualmente o filme acerta, pois apesar de bem filmado e fotografado, há um predomínio de cenas muito iluminadas, que reforçam as belas cores dos cenários, reforçando uma ideia espiritual de aqueles lugares se aproximam do paraíso, e não de um lugar digno de fuga de uma família ordeira.

Há uma significativa melhora na historia quando a família tenta novamente a fuga de balão. O suspense a respeito do sucesso nesse intento é bem construído, mas até chegar a esse momento já se passou muito tempo, normalmente com uma trama que é arrastada demais, e que se propaga por longos 125 minutos aproximadamente, em uma condição até estranha, pois ele claramente não carece dessa duração tão extensa.

Ventos de Liberdade tem muito mais problemas que méritos, e é uma pena que assim seja, e que fracasse tanto no intuito de mostrar um retrato sóbrio da Guerra Fria, parecendo em última análise uma mera obra propagandista, que reduz tanto as diferenças ideológicas e governamentais vigentes na época, que quase iguala os horrores nazistas aos desmandos dos socialistas, ainda que não consiga nem mesmo criticar direito o governo alemão oriental, já que não há gravidade na rotina dos seus personagens.

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