[Crítica] Wheelman

Dirigido por Jeremy Rush, Wheelman é um filme b que se situa no lugar comum ao de tantas outras produções que tratam do cotidiano de bandidos. Um assalto ao banco dá errado, graças a ligação do misterioso contato que passa as ordens ao personagem sem nome de Frank Grillo. O catalisador do fracasso na operação é exatamente a atitude do wheelman, que obedece cegamente as normas passadas pelo mensageiro, acreditando que assim preservaria a própria vida.

A produção tem efeitos e orçamentos baratos, sua proposta é honesta e econômica inclusive emocionalmente. Em alguns pontos, faz lembrar os bons momentos dos filmes de Roger Corman, ao menos os que adaptavam os conto do Edgar Allan Poe e que não deviam tanto em comparação com outros filmes de temática fantástica de sua época. A tensão e o suspense presentes na rotina do protagonista tem sua própria importância e tensão, mesmo sem qualquer informação previa sobre seu passado.

Toda a emboscada do chantagista que armou para o anti herói só faz sentido graças a veracidade que Grillo entrega em sua performance, estando quase sempre sozinho em tela, como em Locke, com Tom Hardy, ainda que esse tenha um caráter mais expositivo e ligado a um speed exploitation, como se fosse esse um híbrido entre o filme de Steven Knight e Drive ou Em Ritmo de Fuga.

A intimidade do personagem é na maioria das vezes apenas sugerida, e quando finalmente surge em tela, é bem enquadrada e foge de estereótipos excessivamente melodramáticos. Essa talvez seja o diferencial de Wheelman, no sentido de conseguir concatenar ação, urgência para resolução das problemáticas estabelecidas e o medo do protagonista em voltar para trás das grades de uma maneira visceral, realista e simples, com uma direção sóbria e um estilo de contar historia com uma violência cortante, seca como um golpe de navalha na carne.

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