Crítica | Xingu Cariri Caruaru Carioca

Mostrando a viagem do cantor Carlos Malta a uma aldeia indígena em busca de um escambo cultural, Xingu Cariri Caruaru Carioca tem como ponto de partida o instrumento característico, o pífano, um instrumento de sopro que ele toca sempre com os aldeões.

Beth Formaggini conduz um documentário lúdico, mostrando o método de Carlos e a investigação dos sons e ritmos tribais brasileiros, resgatando culturas que não são tão conhecidas quanto deveriam, graças a colonização européia que o país sofreu e o descaso do Estado. Durante um bom tempo, o longa se dedica a verificar as aldeias indígenas e não demora a se viajar o Brasil sertanejo, resgatando também ritmos nordestinos, nortistas e interioranos.

É curioso como o som das flautas variam de localidade a localidade, cada uma com uma identidade própria, ligada evidentemente a regionalidade e visão do povo sobre as próprias tradições locais. Apesar de usar poucas palavras em seu modo de contar a história, a mensagem que Formaggini passa é absolutamente compreensível e de fácil digestão, assim como o caráter de inclusão se mostra muito justo, já que todo esse repertório pertence aos brasileiros, além de ser a gênese da música brasileira e contar um pouco de nossa história.

Na última meia hora, Malta brinca com os sons provindos da caverna antes de retomar os duetos com os habitantes dos locais ermos que viaja. A odisseia de Xingu Cariri Caruaru Carioca visa mapear todo o ideário musical da brasilidade típica e esse resgate é feito de modo belo e singelo, para muito além da musica feita para exportação.

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