Crítica | Yara

O começo de Yara, novo longa-metragem de Abbas Fahdel se dá em um cenário isolado, uma fazendo no topo de um morro onde vivem duas mulheres, Yara (Michelle Yehbe) e a idosa Mary (Mary  Alkady), que habitam aquele lugar cercadas dos animais típicos do campo. Esse isolamento cobra seu preço, ambas são pessoas muito sozinhas e que quase não conversam com ninguém, exceto é claro entre si, e quando o fazem é basicamente para falar sobre trivialidades.

O diretor franco-iraquiano normalmente faz documentários ou dramas localizados no Iraque, e essa característica se vê muito bem exemplificada aqui, ao filmar tudo de forma muito contemplativa e hiper naturalista. Yara é uma menina jovem, cria de sua terra, extremamente tímida, fato que a faz se encaixar quase perfeitamente no clichê de menina interiorana e que se permite iludir por muito pouco, por qualquer galanteio.

A câmera de Fahdel costuma passear bastante pelas estalagens da fazendo, flagrando os animais em seus hábitos comuns,variando entre eles os afazeres das pessoas que habitam o sítio, como se ambos os seres vivos racionais ou irracionais pertencessem aquele lugar. Não demora a aparecer Elias (Elias Freifer),  um homem que começa a corteja-la timidamente, mas resoluto o suficiente para que ela e todas as outras percebessem suas intenções, até porque, para encontra-la, era preciso fazer uma viagem, pois ela não sai do cenário inicial do longa.

O amor que nasce ali demora a se desenvolver, é lento, gradativo e até belo em alguns momentos, mas os momentos finais demonstram que a desconfiança na humanidade que era comum naquela casa não era em vão. Yara é um filme que tenciona uma aura poética mas que não tem muita reverberação em seu roteiro, salvando o produto final graças a belas imagens que Fahdel registra, mas sem muito significado embora a intenção seja a de falar de um povo que foi flagelado pelo tempo.

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