[Crítica] Yonlu

Dirigido por Hique Montanari, Yonlu é um filme baseado na história real de Vinicius Gageiro Marques, também conhecido como Yoñlu, um jovem músico cuja vida foi encurtada por um suicídio assistido via internet. O começo do longa mistura momentos oníricos com entrevistas com o psicanalista do rapaz, que tenta imediatamente denunciar a espetacularização do caso envolvendo o rapaz, também apelando para o lugar comum de que a internet é um lugar perigoso.

Interpretado por Thalles Cabral, que quase não interage com outros atores, o longa conta ainda com a trilha sonora assinada pelo próprio Vinícius. Interessante notar que, as outras pessoas que cortam o caminho de Vinicius só aparecem por meio de vozes e ruídos, são incorpóreos. Talvez a mensagem mirada seja a de alertar para a solidão cotidiana em que o rapaz estava posto, fato que certamente contribuiu para o estágio final de sua vida.

Vinicius é um garoto atormentado por seus próprios pensamentos e sentimentos, e parece ter pouco lugar onde dar vazão para seus desejos de não existir. Essa questão polêmica, velha como o mundo, é retratada de um modo sentimental e poético, mas sem romantizar o cercear da própria vida, e sem deixar de lado os estudos sobre casos e informações médicas sobre o que leva alguém a dar cabo da própria existência. Ainda assim, o filme não procura dar respostas sobre como suportar a dor ou como lidar com o desejo de não viver mais.

A reconstrução da curta jornada de Yonlu é muito bem registrado dentro do filme de Montanari. O diretor conseguiu captar bem a alma e verve artística do músico, pondo em tela bastante de sua personalidade e brilho. A saída de contar uma ficção livremente baseada em uma história real garante ao filme uma liberdade poética ímpar e muito bem empregada na tentativa de contar ao mundo a versão de Yonlu sobre o que de fato aconteceu com ele nos seus últimos dias e traçar um panorama com a sua arte.

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