Crítica | Your Name

Your Name, escrito e dirigido por Makoto Shinkai, teve a façanha de alcançar o posto de animação mais rentável dos cinemas japoneses. Após assisti-lo, é possível entender o porquê. Além de tecnicamente perfeito, traz uma história aparentemente clichê, mas que esbanja sensibilidade e, principalmente, uma narrativa muito bem construída.

Elogiar a parte visual de uma obra de Shinkai é chover no molhado. O diretor já é conhecido pela qualidade altíssima de suas animações, com muitos detalhes e cenas vivas. Your Name não é exceção e apresenta takes belíssimos, não só pelos traços, mas pelo uso de ângulos interessantes e construções de cena impecáveis. Um ponto que chama a atenção são aquelas cenas corriqueiras, que vão de uma simples panela cozinhando alimentos até as folhas flutuando na água do rio. O cuidado aos detalhes é assustador, e ajudam a dar o clima narrativo.

A história mostra dois jovens: Mitsuha (Mone Kamishiraishi), uma garota que vive em uma pequena cidade do interior do Japão, e Taki (Ryûnosuke Kamiki), um rapaz de Tóquio. Sem entenderem o motivo, eles trocam de corpo várias vezes, e aqui se inicia a maravilhosa habilidade narrativa de Shinkai. O filme já começa com Mitsuha se comportando de forma estranha, e aos poucos vamos descobrindo que há essas trocas de corpo. As reações dos personagens são bem humanas. O filme entrega os detalhes aos poucos, e você descobre tudo junto com os personagens.

É claro que essa troca vai ocasionar em situações divertidas. Mitsuha não conhece os amigos de Taki, se perde ao ir para a escola e nem sabe onde ele trabalha (tudo isso quando ela está no corpo dele). O mesmo ocorre com Taki, mas no contexto da pacata vida de Mitsuha. Falando assim, parece uma historinha banal. Mas aí as coisas vão se desenvolvendo e…

Tudo se torna bem intrigante. Felizmente, o diretor não se preocupa em dar explicações detalhadas do motivo dessa troca de corpo, nem tenta ser realista ou científico. Mesmo assim, o desenvolvimento da trama e dos personagens é muito rico. Vamos descobrindo novos detalhes da relação entre eles, e no final tudo se encaixa.

Se por um lado o filme traz diversos elementos de ficção científica, Shinkai consegue deixá-los totalmente em segundo plano. Eles são apenas as ferramentas que ele utiliza para contar o que importa: a história de Mitsuha e Taki. Tais elementos ajudam a criar uma trama mais grandiosa e complexa, confundindo o espectador de forma bem controlada. A narrativa segue fora de cronologia, mas tudo vai se encaixando de forma orgânica, inclusive repetindo alguns trechos de cenas passadas. Tudo é muito bem explicado sem quebrar o ritmo da narrativa.

Então este filme realmente é a melhor animação japonesa já feita? Mereceu desbancar o sucesso de A Viagem de Chihiro? Sinceramente, essa discussão é pobre e não vale a pena. “Melhor” é muito relativo. Depende do seu gosto e da sua sensibilidade. Até porque são filmes completamente diferentes, com propostas bem distintas. Uma coisa é certa: Your Name tem muita qualidade e merece todo o sucesso que recebeu. Talvez não agrade os mais jovens ou quem prefere obras voltadas para ação e aventura. Para quem aprecia uma boa narrativa e belas animações, não tem erro, é um prato cheio e com certeza vai ficar na memória por muito tempo. Principalmente ao descobrir o peso do significado do título.