Cinema

[Crítica] Bruxa de Blair: A Lenda Nunca Foi Tão Real

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O cinema de horror americano caiu em um marasmo tremendo nas últimas décadas. Sempre que surgia algo novo, logo o formato se tornava explorado em excesso e pronto a receber péssimas imitações. Foi o que aconteceu com o clássico A Bruxa de Blair, de 1999, que gerou entre tantos bastardos, o filme de Oren Peli, Atividade Paranormal e suas continuações. A fim de tentar resgatar o estilo found footage dessa mediocridade e retomar para a franquia o protagonismo do estilo, Adam Wingard lança Bruxa de Blair: A Lenda Nunca Foi Tão Real, no original The Blair Witch, abandonando de vez a ideia de uma fita de jovens desaparecidos, mote da primeira produção.

Contra o novo filme, há a óbvia quebra da novidade, fato que já havia ocorrido com A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras, e  um abandono do formato mocumentário. Como em Marcados Para Morrer de David Ayer, esse produto se vale de uma edição modernosa, sempre em primeira pessoa mas acompanhando equipamentos múltiplos. Em comum com o filme original, há o parentesco do protagonista de James (James Allen McCune) com Heather, a menina da primeira história. O mote do roteiro de Simon Barrett explora a obsessão do rapaz em encontrar qualquer vestígio de sua irmã.

Acompanham James um grupo de amigos genéricos, dos quais só se diferencia Lisa (Callie Hernandez), uma estudante de cinema que resolve acompanhar o grupo a fim de produzir um filme documental sobre aquela estranha história (ainda que outros filmes do gênero sempre tenham alguém ansioso para documentar os fatos). No decorrer das filmagens, o grupo encontra uma dupla de locais que acreditam nas lendas da tal bruxa e servem de guias para eles na floresta.

O conjunto de sustos é elaborado de forma bastante óbvia, ao menos no início. Wingard consegue restaurar a sensação de claustrofobia e medo do escuro que Eduardo Sánchez e Daniel Myrick conseguiram, embora não se aproxime da qualidade inovadora da dupla. Como fato novo há o acréscimo de um gore moderado e mortes violentas que se tornam ainda mais grave pelo estilo da câmera empregado pelo realizador. Ainda assim, não há muita novidade dentro do projeto, fator que faz o filme soar esquemático e refém de sua formula.

A mediocridade é salva nos momentos finais, onde uma perseguição eletrizante ocorre, finalmente pondo os jovens a frente da figura medonha. Há uma exploração bem interessante do horror, baseado em um conceito temporal típico de ficção científica mas que se revelada, estragaria a experiência do espectador. Este Bruxa de Blair passa longe de ser um resgate de altíssima qualidade do cinema em primeira pessoa, mas não soa indigno diante da memória do longa de 1999, produzindo sensações de temor condizentes com as do clássico, além de ser muito superior a tantas outras continuações / remakes de franquias de terror famosas.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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