[Review] Another Metroid 2 Remake

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Você provavelmente sabe o que é esperar meses e até anos por um jogo, principalmente por metroidvanias que por sua complexa e interessante estrutura precisam de muita revisão e planejamento. Já fazem mais de 15 anos que a Nintendo não lança um título no formato 2D de um de seus títulos mais influentes até hoje, sendo dos 5 jogos já lançados um deles é um (muito competente) remake do primeiro jogo da série.

De todas as coisas que pode-se dizer sobre Another Metroid 2 Remake é que o projeto surge da admiração de um fã, que se uniu a mais alguns companheiros e trilhou um caminho que percorreu uma década. O jogo não só repagina um título em PB para Gameboy quase sem instrução nenhuma para uma aventura estruturada com mapa, contador geral e local para dinamizar a exploração mas consegue antes de tudo nos fazer sentir jogando algo que parece legítimamente feito pela empresa dona da franquia.  Percebo que os momentos mais interessantes do jogo (assim como em todos os outros metroids) é na sensação que você tem ao não saber exatamente pra onde ir e acaba retornando para todos os pontos anteriores da jornada atrás de uma nova pista.

Acaba que o único pano de fundo de estória dentro de Metroid 2 foi o ponto decisivo para que DoctorM64 conseguisse focar no ponto principal de seu remake; a ação. Na trama, Samus é encarregada de exterminar toda a raça metroid que se encontrava no antigo planeta chozzo SR388 e resgatar uma equipe militar que estava incomunicável. Essa pequena missão de exterminio dá o tom necessário para que o mesmo seja estruturalmente voltado para os jogadores mais focados em atirar.

Na maior parte do tempo, e mais ainda pros jogadores mais desavisados, a constante sensação de perigo que é enfrentar um simples metroid em todas os seus estágio de evolução vai ensinando o conceito de cautela de maneira cada vez mais sólida para o jogador, ainda mais quando se percebe que além disso o próprio planeta guarda suas armadilhas internas quando menos se espera. Não estou dizendo que se trata de um survival horror ou coisa do gênero, mas existe um medo legítimo em simplesmente não ter salvo seu percurso e se deparar com um perigo sem nenhum míssil equipado e ter que sair correndo pro check point mais próximo, e não será apenas uma vez que essa sensação virá!

Principalmente a considerar que esse sub gênero vem crescendo e sendo refinado cada vez mais dentro do desenvolvimento independente com Axiom Verge, Ghost Song, Dex, Guacamelee, Aquaria e Bloodstained é correto dizer que pra um projeto que nasceu há tanto tempo ele conseguiu se manter como um título de peso para os metroidvanias.

Por mais imediata que uma constatação de apenas uma jogatina possa dizer sobre um projeto desse tamanho e que levou tanto tempo para de fato sair é que títulos como AM2R ajudam qualquer admirador de jogos a esperar por algo que talvez nunca mais venha e partilhar o carinho pelas mesmas ideias e estruturas de jogabilidade atemporais. No final das contas se não acontecer, esse simples ato de esperar com o tivemos em mão já valeu muito a pena. Gostaria de ser um fã tão bom quanto o DoctorM64 de qualquer coisa.