Review | BIT.TRIP.RUNNER

BIT.TRIP.RUNNER fará você chorar sangue, ou lágrimas de unicórnio. Tudo vai depender se você conseguiu ou não passar da fase. O quarto jogo da saga BIT.TRIP é o primeiro em que você controla o Commander Video. Num jogo em que a dificuldade e a repetição serão levados a níveis extremos, mas que no final renderá aquela felicidade e sensação de dever cumprido, por bater uma fase depois de 150 tentativas.

BIT.TRIP.RUNNER é um jogo de plataforma, side scroller, on-rails, rítmico (esses gêneros estão cada vez mais complexos). Com a jogabilidade parecida com Canabalt, de iOS e a com a versão gratuita em flash (http://www.adamatomic.com/canabalt/). O funcionamento é basicamente um cenário que vai passando em uma velocidade rápida com alguns obstáculos, dependendo de qual for esse obstáculo, você tem que pular, agachar, chutar ou, ser arremessado por uma mola. Além dos obstáculos, você tem barras de ouro espalhadas e, para fazer 100% da fase, deve pegar todas. A velocidade da passagem da fase (sidescrolling) é bem rápida, porém constante. E exige do jogador reflexos e raciocínio muito rápido.

Se em BIT.TRIP.BEAT a referência e a releitura era total de Pong, nesse aqui os jogos de plataforma clássicos até a era 8-bits são a bola da vez. Com destaque maior para Pitfall, e não por acaso, ao completar uma fase pegando todas as barras de ouro, você joga um bônus round retrô. O cenário moderno, 2.5D pixelado dá lugar a floresta com gráfico 2D total, do clássico de Atari. Até uma barra inferior idêntica às telas de apresentação dos jogos de Atari eles incluíram.

Os três jogos anteriores da série BIT.TRIP tinham uma estrutura de fases parecida, apenas três mapas, mas com duração bem extensa em cada um deles. Para não tornar um jogo praticamente impossível de ser batido por um ser humano com vida além do video-game, RUNNER tem três cenários cada um com 11 fases e um chefe final.

A trilha sonora, como de praxe na série, é ótima, desenvolvida pela própria produtora mas com algumas inclusões da banda especializada em chiptune Anamanaguchi, ela funciona perfeitamente pra dar todo o tema retrô moderno que o jogo se propõe, com a combinação de 8-bits com eletrônico contemporâneo. Além disso, o ritmo é fundamental, não diretamente no gameplay, mas está muito mais ligado ao acompanhamento do que você faz. Um salto sobre um obstáculo tocará uma nota, uma barra de ouro, outra nota e assim por diante. Além disso, as músicas começam bem simples no início de cada fase, e vão ganhando complexidade conforme você pega algo que parece uma peça de tetris que ficam espalhadas pela fase. Esse power-up também tem influencia na pontuação do level.

Sobre os gráficos, com elementos 2.5D todo em pixel art, são absurdamente belos, e tal como a trilha e efeitos sonoros, combinam perfeitamente para criar essa atmosfera new retrô que o jogo quer nos passar. Um fã de Pixel Art e jogos vintage, com certeza irá gostar só por esse apelo. Porém, o visual pode trazer um problema. Com o ritmo rápido da rolagem da tela, e dependendo do monitor em que você está jogando, você pode ficar com aquele tipo de sombra na vista, e que irá causar tonturas ou até náusea. Portanto se você já teve algum desses problemas, fique ligado.

exemplo dos gráficos e cenários belos de bit trip runnerPixel art moderna, de primeira.

Agora o que pode ser o ponto mais alto ou mais baixo de BIT.TRIP RUNNER, dependendo do ponto de vista, é a jogabilidade e a dificuldade. Eu disse anteriormente que as fases não eram tão longas. Mas ainda assim, para um jogo sem nenhum checkpoint, algumas delas são muito longas. Sem checkpoint significa que você deve ser perfeito ou algo próximo disso, e o tempo todo vai ser exigido de você essa perfeição. Errou no último momento da fase, ou do chefe (que também seguem a mesma estrutura), começo da fase, tudo de novo.

Eu dei o exemplo de Canabalt para especificar o tipo de jogo, porém aqui as fases não são randômicas, ou seja, dependendo da dificuldade da fase, é bem provável que você tenha que tentar tantas vezes, chegando a decorar cada movimento, e ação a ser feita. Alguns defendem que um jogo desse deveria ter algum tipo de jogo desses deveria ter checkpoints em pontos chaves da fase. Eu discordo e muito, acredito que isso quebraria toda a proposta de RUNNER.

É claro que todo esse desafio tem seu lado bom e seu lado ruim. O ruim, obviamente é a frustração, e acredite, esse jogo vai te dar. Vontade de jogar o controle na parede, raiva, crise de choro, é exatamente isso que ele quer fazer com você, lembrando e muito os próprios jogos que ele faz referencia, em que facilidade não era a proposta. O lado bom de tudo isso, é que depois de 1297 tentativas, 314 delas que você tinha prometido que era a última se não passasse. Vem junto aquela felicidade de desafio cumprido, uma sensação de derrotar o game designer, que sinto falta em muitos jogos atuais. Ainda relacionado a dificuldade do jogo, por mais alta que ela seja, existe uma curva de aprendizado muito bem desenvolvida, que faz com o que jogador aprenda todas as habilidades que o jogo requer naturalmente. E que mesmo assim não o torna fácil.

Commander VideoCommander Video o tempo todo na tela

Considerando tudo isso, se o que você quer é apenas diversão com um jogo, BIT.TRIP RUNNER não é pra você. Porém, se o que você procura é um jogo desafiante, com diversos elementos clássicos, com uma parte visual e sonora incrível, com certeza é um jogo mais do que indicado.

BIT.TRIP RUNNER é desenvolvido pela Gaijin Games, distribuído pela Aksys Games. Foi lançado em 14 de Maio de 2010 para Wii via WiiWare. E está disponível para Nintendo 3DS, Windows, Mac e Linux, por compra direta ou Steam.