Review | Dustforce

Você quer ficar furioso? Dustforce é o jogo para você, mas isso não significa que o jogo é ruim, ele é ótimo, mas se prepare para frustrações, agonia, choro, controle na parede, desafio ao seu ego de jogador experimentado, porque o jogo é tão bom e envolvente, que você vai gostar de passar por todos esses percalços, e se sentir melhor no fim da jornada.

Dustforce, é um jogo de plataforma 2D, em que o seu objetivo é com uma vassoura, aspirador ou espanador, limpar toda a sujeira do mapa, sujeira essa que pode ser: folhas, poeira da cidade, resíduos químicos ou até mesmo poeira de fantasmas, e é claro tentar limpar tudo no menor tempo e com o combo mais alto possível.

A jogabilidade, que nesse caso se resume à movimentação do seu personagem, é o ponto técnico mais alto. Senti fortes influencias de Kid Chameleon, o clássico do Mega Drive, na maneira como o personagem se movimenta e como se desenrola a fluidez disso. E o resultado é que funciona muito bem, exigindo muitas vezes do jogador de movimentos inusitados, ágeis, e de certa forma dificeis, mas não no sentido frustrante, que é necessário um malabarismo de movimentos, completamente impensáveis. Mas sim, que desafiam, ao exigir raciocínio rápido e habilidade nos comandos. Dito isso, um ponto importante é que apesar de ser um jogo para PC, e ser possível jogar no teclado, recomendo altamente o uso de um controle. No teclado perde-se muito da fluidez necessária para completar certos desafios, tornando aí sim, uma experiência frustrante.

Dustforce também é um tipo de jogo que não está muito preocupado com quem o joga. Digo isso porque o jogo apresenta um pequeno tutorial com o gameplay básico para você não ficar completamente perdido. Depois disso, você está completamente por sua conta. Na primeira vez que joguei, fiquei talvez por 5 minutos pra encontrar como começava uma fase. Outro ponto que corrobora com isso, é o fato de se ter 4 personagens disponíveis para o jogo, que à primeira vista parecem não alterar a jogabilidade, alterando apenas o Skin. Mas não, existem diferenças sutis entre seus movimentos, que podem fazer com que sejam melhores ou piores para o estilo do jogador/fase. E tudo isso é você que deve descobrir, não há uma tabela de habilidades, por exemplo, informando se o personagem é melhor em velocidade, ou salto, ou o que equivalha. Novamente, você está por sua conta.

Agora voltando para a fúria que esse jogo te proporcionará, está ligada a própria dinâmica do jogo, que lhe apresenta alguns níveis iniciais, porém para liberar todas as fases do jogo, você deve conseguir chaves. E para conseguir essas chaves prepare-se, você tem que fazer a pontuação perfeita da fase, ou pelo menos perto disso. E para ser perfeito, você deve limpar toda a sujeira do cenário, sem perder o seu combo nenhuma vez. E por combo, não imagine jogos como Sonic, em que você só perde suas moedas, caso algum bicho te ataque, aqui em Dustforce, você tem que, além de escapar de possíveis ataques – o maior problema nem é esse, já que inimigos que dão hit, são infinita minoria – você tem um limite de tempo, entre os pontos de sujeira que você limpou. E esse tempo  é bastante curto.

Com essa dinâmica de sempre procurar o combo perfeito, é inevitável que para chegar no objetivo final, você tenha que passar por cada fase várias vezes, conhecê-la bem, fazer uma rota que seja a melhor possível (sim, as fases também não são lineares, você pode ir por mais de um caminho). Fazendo sua estratégia, se esforçar ao máximo, pra conseguir fechar aquele level. E é ai que entra a raiva, o choro, o ataque de pelanca. Porque ele vai mexer com o seu ego de jogador, quando você estiver atingindo a quase perfeição no último segundo, e errar um movimento. Porém, ao terminar e cumprir a missão, e observar o seu ranking no leaderboard, a confiança será reestabelecida, pois poderá dizer, sou melhor do que todos esses que estão abaixo de mim.

Outro ponto a se ressaltar é o próprio leaderboard, que em todo level, você pode acompanhar o replay dos 10 jogadores melhor colocados. E ao ver esse replay,  invariavelmente você vai ter aquela sensação, poxa, como não pensei nisso antes.

Um último ponto, depois de várias horas jogando, descobri que existe um modo multiplayer no jogo, mas é apenas local, nos moldes de videogame antigo, podendo jogar até quatro ao mesmo tempo. Com certeza não é algo que eu vá utilizar muito, eu diria que talvez nunca. Mas ele está lá.

Para concluir, é um must-play do cenário Indie, um ótimo jogo de plataforma, que proporciona um bom desafio e várias horas de diversão. Os aspectos técnicos do jogo como visual e trilha sonora são bem competentes, e a jogabilidade, desde que se esteja jogando com um gamepad, é muito boa, trazendo consigo diversas influencias dos clássicos do genêro, mas fazendo uma experiência original.