Review | Obscure

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Coisas estranhas têm acontecido na escola Leafnore. Muitos estudantes desapareceram e jamais foram encontrados. Um grupo de alunos decide investigar após o desaparecimento de seu amigo Kenny. E descobrirão coisas muito estranhas.

Lançado para PlayStation 2, Xbox e PC, Obscure traz bons elementos do survival horror para um contexto teen. A trama se passa numa escola, é protagonizada por seus alunos e tenta criar uma atmosfera pesada e sombria. O visual e jogabilidade são claramente inspirados em Silent Hill, enquanto que as explicações dos ocorridos vão para um lado mais Resident Evil. Há uma certa mistura de ciência e sobrenatural que são boas nas ideias, mas pecam na execução, principalmente na estética dos monstros – salvo algumas exceções. Os gráficos são bons para a época que foi lançado (2004) e resistiram bem ao tempo. A trilha sonora é excelente e utiliza músicas do filme The Faculty, dirigido por Robert Rodriguez. Pena que a dublagem é fraca, o que não compromete tanto.

O jogo não esconde suas influências, ao mesmo tempo que tenta criar algo novo. De certa forma, conseguiu. Não chega aos pés do clima aterrador de Silent Hill ou, comparando com um jogo posterior, aos momentos de tensão de Dead Space. Os cardíacos poderão curtir Obscure sem grandes problemas.

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Como é de praxe, o jogador deverá resolver diversos puzzles. Nada muito desafiador ou elaborado, pois a solução geralmente está na sala ao lado e não exige grande raciocínio. É um ponto positivo para quem tem preguiça de pensar e só quer curtir o jogo. Os mistérios são revelados por meio de poucos documentos espalhados no cenário, mais um ponto a favor dos que não querem ler muito.

A mecânica de combate não é das melhores, e em diversas vezes os inimigos aparecem do nada ao seu lado, aplicando dano imediato. A mira automática ajuda bastante. Os personagens morrem com certa facilidade, causando frustração em alguns momentos. O interessante é que, se um personagem morre, o jogo continua normalmente. O uso da luz para enfraquecer ou eliminar os inimigos também é um aspecto muito legal e pôde ser visto anos mais tarde em Alan Wake.

É possível escolher até dois personagens por vez, cada um com uma habilidade diferente. O jogador poderá controlar os dois sozinho ou, se preferir, chamar um amigo para assumir o player 2, criando um modo cooperativo interessante. Não tive a oportunidade de experimentar esse coop, mas ele deve enriquecer bastante a experiência.

No quesito diversão, Obscure surpreende. Mesmo com mecânica de combate razoável, puzzles simplórios e roteiro fraco, a narrativa flui muito bem, instigando o jogador em querer seguir. É possível finalizá-lo em menos de oito horas, não dá tempo de enjoar.

Encare este jogo como um filme de terror adolescente, ou seja, não espere grande roteiro. Os personagens são rasos e não criam empatia alguma. Quando morrem, nem dá pena. O desfecho é interessante, mas o último chefe é meio ridículo, não pela ideia, mas pela execução. Faz sentido ele ser daquele jeito, mas não elimina o fato de ser estranhamente tosco. No mais, jogue sem compromisso, de preferência com um amigo, e garanta algumas boas horas de diversão.