Literatura

Resenha | A Fúria dos Reis - George R.R. Martin

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Capa - A Fúria dos Reis

Creio que se trata de uma tarefa muito difícil - e algo que não pretendo fazer - separar um livro inteiramente de uma série para resenhá-lo. Afinal, acho mais consistente julgar todos os capítulos de uma vez do que os pedaços esparsos e, dessa forma, projetar minhas expectativas sobre aquilo que aconteceu e o que vai acontecer. No entanto, diferente da próxima resenha que irei postar aqui (que é de A Tormenta de Espadas), tentarei ao máximo analisar a trama e os personagens e o que faz As Crônicas de Gelo e Fogo uma leitura indispensável para todos aqueles que gostam de uma literatura fantástica consistente.

Quando comecei a ler o segundo livro, a segunda temporada já havia terminado e eu estava no aguardo da terceira, portanto não fui tão surpreendido quanto poderia por aquilo que acontece, mas preciso afirmar que alguns detalhes fizeram com que eu me apegasse ainda mais aos personagens e à riqueza da história. Mas, antes de começar a falar sobre isso, quero respostas honestas para as seguintes perguntas: quem não acha, nesse livro a Sansa uma menininha sonsa que só sabe ser cortês? Quem não a detesta pela sua burrice ao denunciar os planos de Ned para a rainha? Quem, pelos céus, não curte os pontos de vistas de Tyrion desde o primeiro livro? Quem aí não quer ver mais (muito mais) sobre os sonhos verdes, o corvo de três olhos e os sonhos de lobo de Bran? Ou então, para finalizar, quem aí não acha que Jon Snow é um dos personagens com maior potencial da série?

E olha que nem vou comentar sobre a torcida para que Arya mate todos aqueles que cita o nome em uma prece antes de dormir, porque prefiro acreditar em um mundo ideal em que todo mundo a imagina no futuro como decepando cabeças e dominando mundos. Se algum de vocês não sentiu nenhuma dessas coisas, então acho que As Crônicas de Gelo e Fogo realmente não são para você. No entanto, se você concorda com pelo menos uma dessas perguntas, então acredito que também irá concordar com os pontos que colocarei a seguir.

É inegável, independente do que qualquer pessoa diga, que As Crônicas de Gelo e Fogo estão prontas para serem adaptadas para a 7ª arte, o que faz com que a leitura seja rápida, fluida e etc, etc, etc. No entanto, não se trata apenas disso. Todos os personagens tem seu background e seus feitos de outrora e, por mais que isso seja dito apenas por cima na maioria das vezes, pelo menos George se dá o trabalho de pelo menos mencionar algo que pode ter influenciado a situação atual dos personagens e o valor que ele tem para a trama.

Sim, concordo, são mais personagens principais do que eu gostaria de conseguir acompanhar, mas eles não estão deliberadamente colocados para dar andamento a história. Pode parecer isso, mas acredito que existem vários propósitos por trás deles e de seus contextos, por mais que pareça que o universo fantástico criado seja realmente o foco. Afinal, todos eles são únicos, consistentes e com traços fortes que os definem e, assim, permitem que o leitor se identifique com eles. Sem contar que o autor lida muito bem com os conflitos morais e as influências não apenas internas dos personagens como também daquilo que outros podem obrigá-los a fazer, independente de seus valores (afinal, quem aí não achava que Ned ia jogar na cara de todo mundo que Joffrey era bastardo antes de ser decapitado?). É preciso de maestria para conseguir fazer personagens tão divergentes e, em alguns casos, coesivamente similares, por mais que nunca tenham convivido. Esse fator “humano” colocado pode parecer desanimador em um universo fantástico, mas eu realmente gosto muito desse aspecto colocado.

Agora, quanto a trama que rege esse segundo livro, vou ser sincero e dizer que não sei por onde começar. Dany e seus dragões com sua “aventura” em Qarth? Ou então Tyrion como mão do rei e tentando salvar Porto Real? Ou quem sabe Jon Snow e sua empreitada com Qhorin Meia-mão? Arya? Mencioná-las individualmente ocuparia muito tempo e, honestamente, não ficaria tão bom quanto eu gostaria para expressar aquilo que eu acho. Portanto, serei sucinto e imagino que terá o mesmo efeito do que florear tudo individualmente (infinitamente).

Creio que nesse livro, acima de tudo, nos mostra o quanto o universo criado está crescendo e tem potencial para crescer. Por mais que no primeiro livro eu tenha sido frustrado ao desejar uma magia e misticismo que não houve, agora eu vejo que minhas expectativas não deverão permanecer frustradas por muito tempo. A feiticeira vermelha, os Outros, os Imortais e até mesmo os dragões da não-queimada crescendo e se desenvolvendo são, se não sinais evidentes de quanta magia ainda está por vir, o inicio da reviravolta do que está por vir. Haverá magia, sim, e haverá morte e destruição, isso fica claro. Porém, ao invés de temer, esse livro nos prepara para o fantástico que está por vir, muito mais do que apenas contar uma história.

(Se bem que, pensando bem, não existe um livro que nos prepararia para todos aqueles casamentos do livro 3).

Dito isso, vejo o segundo livro como uma preparação, uma ponte que vai conectar o primeiro livro com os seguintes, nos preparando o melhor possível para os plot twists que irão surgir. O primeiro livro, a Guerra dos Tronos, me pareceu mais como uma introdução, enquanto o “A Fúria dos Reis”, é o verdadeiro início que nos levará a diante. Agora, como eu disse lá em cima, se você não foi inspirado de forma alguma pelos personagens ou então pela complexidade e andamento da trama, então o melhor que você tem a fazer é largar esse livro e apenas assistir o seriado (porque, mesmo sem gostar dos livros, é muito provável que o seriado te empolgue). Porém, como já disse antes: se você acredita nos personagens e na história, continue lendo. Afinal, essa série é uma literatura fantástica diferente das outras que já foram apresentadas. Não melhor e não pior, apenas diferente.

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Texto de autoria de Thiago Suniga.

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