Literatura

[Resenha] As Artimanhas do Napoleão e outras batalhas cotidianas - Antonio Cestaro

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Vencedor do Jabuti na categoria Projeto Gráfico, em 2013, o primeiro livro de Antonio Cestaro, Uma Porta Para Um Quarto Escuro, apresentava, em uma linda edição, 20 contos curtos e filosóficos sobre o cotidiano e as lembranças da memória. Dois contos deste livro apresentavam a figura de Napoleão, um porquinho-da-índia que vive em companhia do autor. Motivado pela curiosidade dos leitores, As Artimanhas do Napoleão e outras batalhas cotidianas dá sequência natural às aventuras do personagem, narradas pela observação atenta e poética de Cestaro.

O livro é dedicado ao poeta Manuel Bandeira, um dos grandiosos de nossa literatura, autor do poema Porquinho-da-Índia, presente no livro Libertinagem. Neste conhecido poema, o eu lírico, com seus oito anos de idade, comenta a respeito de seu bichinho de estimação, cujo local preferido para dormir era embaixo de um fogão. A poética simbólica do animal é a inspiração evocada pelo autor para compor seu Napoleão.

Formada por 28 contos, a obra repete a parceira do escritor com a filha ilustradora, Amanda R. Cestaro, interpretando em traços a poesia evocada na prosa. São pequenas narrativas que retomam a análise cotidiana, porém dessa vez intermediadas por diálogos silenciosos com o porquinho-da-índia, um observador tão atento quanto o autor.

O bicho de estimação é o conectivo, ou o ponto de ligação, para as aventuras cotidianas e novas personagens apresentadas em diversos contos. Napoleão mora no pé direito dos sapatos do protagonista, é um dos confidentes da empregada de casa, possui uma amiga vizinha vinda da Espanha e uma namorada que encontra em todas as quintas-feiras. Pessoas que formam um círculo de amizades e são matéria para as divagações e reflexões do autor, que também dialoga sobre a frieza da metrópole e defende o retorno de relações mais próximas entre as pessoas.

O uso de um carismático personagem animal estimula a multiplicidade narrativa, e traz um novo enfoque para leitores juvenis que, em fase de transição, podem fazer uma leitura da obra tanto pela sua composição lúdica quanto através das mensagens inseridas em cada história.

Os traços de Amanda R. Cestaro apresentam bonitas representações de cada conto, sempre fugindo de uma mera ilustração direta da obra, para acrescentar mais uma extensão artística, dessa vez visual. Alguns contos são conduzidos por mais de uma ilustração, em páginas que se abrem além da estrutura normal do livro como objeto físico, compondo, como na primeira publicação do escritor, uma bonita edição caracterizada pelo cuidado editorial.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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