Literatura

Resenha | Diablo 3: A Ordem - Nate Kenyon

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Diablo 3 - A Ordem lançado em março de 2012 nos Estados Unidos e em Junho deste mesmo ano aqui no Brasil pela editora Galera e escrito pelo autor Nate Kenyon - autor de diversas obras literárias da Blizzard, produtora dos games da série, e o livro se passa entre o segundo e terceiro jogo da franquia.

O livro narra a jornada de Deckard Cain, último sobrevivente da ordem dos Horadrim, que tem como objetivo salvar o mundo dos demônios. Um livro que para os fãs da história do jogo, como é o meu caso, estavam ansiosos para conhecer a literatura de Diablo, entrar no mundo de Tristram e conhecer mais sobre os personagens, principalmente aqueles já conhecidos do segundo jogo, contudo, a decepção só aumentava a cada página lida.

O desenvolvimento narrativo do autor erra seguidas vezes para contar sua história, o principal deles é que o livro não funciona para quem não conhece a história do jogo, deixando o leitor perdido durante a leitura, se é comum para eu ficar tentando lembrar do segundo jogo para encaixar melhor as coisas, imagina quem não teve contato com os jogos. O próprio autor parece ter percebido esse problema e tentou consertar com flashback's, no entanto nenhum deles funciona como deveria, perdendo tempo em divagações que contam o que não é necessário e acabam se tornando enfadonhos. O mais difícil é saber o que é pior, a narrativa por meio de flashback's ou quando está contando o presente.

Outro problema da narração de Kenyon são seus personagens. Todos são extremamente rasos e em mais de 300 páginas de livro, você chega ao final do livro e não se apega à nenhum deles. Em dado momento, parei e pensei se todos os personagens do livro morressem eu sentiria falta de alguém, a resposta é não. Temos um personagem principal fraco que deveria ser o sábio da jornada, por ser o ancião e o último da ordem dos Horadrim, mas na verdade, é apenas um velho que não sabe conjurar nenhuma magia que preste e está em grande parte do livro perdido, sem saber o que fazer. A Léa, que é uma menina com grandes poderes ocultos, porém, se perde na timidez exagerada por Nate Kenyon e vira apenas mais um personagem sem graça. Mikulov que é pra ser o monge com experiência e força, fica escondido e passa quase despercebido.

O grande inimigo do livro é Belial, um dos demônios menores, que chega a ser citado no segundo jogo mas não aparece, é outro personagem que você pouco se amedronta e não convence do que é capaz. Façamos as contas, no segundo jogo, você mata os 3 demônios maiores (Mephisto, Baal e Diablo) e 2 dos menores (Duriel e Andariel) e Deckard Cain acompanha tudo isso, quando Belial está planejando seu plano, Deckard Cain diz que a jornada que se passou será "um passeio no parque em comparação a essa de agora". Exagerou um pouco Nate Kenyon?

O ponto alto do livro com certeza é o final, não por ter um bom encerramento, mas simplesmente por você chegar ao final da leitura de um livro decepcionante. Nate Kenyon transmite um sentimento de angústia, mas não da forma como ele estava esperando.

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Texto de autoria de Felipe Vieira.

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