[Resenha] Juventude Brutal – Anthony Breznican

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A Escola de Segundo Grau St. Michael estava em um período de mudança quando recebeu três alunos com histórias bem distintas. Davidek, Noah e Lorelei tem maneiras muito diversas de lidar com as dificuldades no novo colégio. Como calouros, eles já ocupam o lugar mais baixo na rígida hierarquia do Colégio mantido pela Igreja, onde os veteranos reproduzem a rotina de humilhações e provações pela qual passaram um dia, com a conivência da direção e professores que estão envolvidos em sua própria disputa de poder.

Davidek só conseguiu garantir seu ingresso na escola por que teve um papel em um curioso incidente que marcou sua visita a escola. Seu pai, um antigo aluno da St. Michael, não parece aprovar seus métodos de ensino, mas escolhe se calar diante do entusiasmo da esposa que encara com orgulho o filho com o uniforme da escola de elite. De natureza mais política, Davidek está sempre tentando fazer alianças que tornem sua vida mais fácil, mas nem sempre compreende o jogo praticado até mesmo pelos professores.

Noah tem um rosto bonito, porém marcado por feias cicatrizes. Ele costuma enfrentar os alunos mais velhos sem sutileza alguma. Não costuma falar sobre sua família, e apesar da atitude de enfrentamento tem uma visão bastante pessimista a respeito da vida. Ele também é altruísta e mostra diversas vezes estar disposto a sofrer por seus amigos.

Lorelei foi hostilizada em seu colégio anterior por que conquistou um dos garotos populares e depois o rejeitou. Sofreu bullying e agora está decidida a fazer o que for preciso para não estar tão vulnerável outra vez. Maquiavélica, ela não poupa esforços para ocupar um lugar sempre mais alto na hierarquia do colégio.

Juventude Brutal, de Anthony Breznican, é narrado em terceira pessoa e sob vários pontos de vistas que não se limitam somente aos três protagonistas, mas se estendem também a funcionários e dirigentes da escola, além de alguns alunos. Ainda que esse estilo de narração tenha sido largamente utilizado, funciona especialmente bem para um livro como este em que é importante entender e vivenciar as diferentes motivações de cada um.

O grande acerto de Breznican é falar sobre um colégio, mas nos fazer refletir sobre toda a sociedade. Desde os dirigentes, passando pelos funcionários até chegar aos alunos mais velhos e calouros, todos tem um objetivo individual e ninguém está trabalhando pela coletividade. E ainda que haja algum sangue escorrendo em suas páginas, a violência alarmante é o desdém daqueles que tem algum poder, mas escolhem não resolver os conflitos.

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Texto de autoria de Mariana Guarilha, autora do blog Miss Bennet. Devota de George R. R. Martin, assiste a séries e filmes de maneira ininterrupta e vive entre o subconsciente e o real.