Resenha | Moriarty – Anthony Horowitz

Todo grande herói precisa de um antagonista à sua altura. O que seria de Sherlock Holmes sem Moriarty? Lógico que continuaria sendo um grande investigador, mas sua genialidade fica ainda mais em evidência ao enfrentar seu arqui-inimigo. O ápice desse embate, narrado em O Problema Final, ocorre nas Cataratas de Reichenbach, onde supostamente Holmes morre – mas ressurge em Londres 3 anos mais tarde, em A Volta de Sherlock Holmes. E é a partir da morte de Moriarty e Holmes que Anthony Horowitz constrói sua história.

Depois do fatídico encontro entre Holmes e Moriarty nas cataratas de Reichenbach, um detetive da agência Pinkerton de Nova York, Frederick Chase, chega à Europa. Na aldeia de Meiringer, onde Holmes se hospedou, encontra-se por acaso com Athelney Jones – inspetor da Scotland Yard, que estuda devotamente os métodos de Holmes. Resolvem juntar forças ao investigar um novo gênio do crime, que ascendeu rapidamente após a morte do professor Moriarty. Sua busca os leva a Londres, onde esse no vilão rapidamente preencheu a lacuna deixada pelo arqui-inimigo de Holmes.

Livros desse gênero, em geral, são escritos em terceira pessoa, principalmente pela possibilidade de oferecer ao leitor vários pontos de vista durante a história. Diferente da maioria, este é narrado em primeira pessoa por Chase. O leitor fica restrito a seu ponto de vista, mas o autor consegue contornar bem essa restrição, sem deixar a leitura cansativa. E, certamente o plot twist final não seria possível caso a narrativa fosse em terceira pessoa. Felizmente, essa reviravolta não fica parecendo um deus ex machina, já que as pistas estão espalhadas pela narrativa, bastando apenas ser um leitor mais atento e inquisitivo para desconfiar do que está por vir.

Os personagens centrais são uma versão simplificada de Holmes e Watson. Athelney Jones, investigador da Scotland Yard, é obcecado por Holmes e suas técnicas investigativas, tentando copiá-las a todo custo. Não é um personagem de todo desconhecido do público leitor de Conan Doyle. Horowitz pegou o personagem “emprestado” do livro O Signo dos Quatro (1890), a segunda aventura de Holmes. E Chase é seu sidekick, seu Watson, é a “orelha” da história, fazendo a Jones as perguntas que o leitor faria.

A ideia é ler sem expectativas, ou melhor, sem esperar que a aventura seja mais um Doyle. Caso o leitor compre a ideia de que a intenção do autor foi criar uma história de detetive ambientada no universo de Sherlock, com personagens que emulassem a famosa dupla da Baker Street, sem maiores pretensões, consegue ser um bom entretenimento para os que curtem literatura de mistério. A obra tem os mesmos “defeitos” das histórias de Holmes – pistas que aparentemente brotam do nada, deduções mágicas de Jones/Holmes – o que talvez irrite alguns leitores. Contudo, se o intuito era homenagear, o objetivo se cumpriu.

Horowitz é uma espécie de especialista em ícones da cultura pop. Escreveu alguns episódios da série de TV Agatha Christie’s Poirot, do canal britânico ITV. Também é autor de duas franquias young adultAlex Rider e O Poder dos Cinco.

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