Resenha | Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Lançado pela Companhia das Letras, Sejamos Todos Feministas da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDxEuston em 2012. A ideia central do livro gira em torno de propor uma nova educação para meninos e meninas ao redor do globo. As crianças têm que ser educadas de maneira igualitária, sempre respeitando as diferenças biológicas, para que cresçam sem os estereótipos do machismo que prejudicam ambos os sexos, mas notadamente as novas mulheres, segundo a própria autora.

A palestra transformada em livro reúne momentos da vida de Chimamanda que exemplificam os desafios de uma mulher para chegar a uma posição de destaque na sociedade. A primeira vez que a autora foi chamada de feminista  foi aos 14 anos de idade. A palavra, desconhecida naquele momento, carregava um tom negativo associado, na Nigéria e em outras partes do mundo, às mulheres infelizes que não conseguem arrumar marido. “Então decidi me definir como ‘feminista feliz’”, recorda.

A partir dessa definição particular, a autora narra o que as mulheres podem ou não fazer sozinhas na Nigéria, tais como: não podem sair sozinhas para jantar fora, não podem entrar em boates sozinha, se entram em hotéis desacompanhadas por vezes são confundidas com prostitutas, etc. E com esses fatos, desdobra questões trabalhistas como menor salário que o homem, pouca presença em cargos de gerência (quando conseguem ser gerentes), assédio, pouca credibilidade em ambiente de trabalho.

O grande acerto da autora é expor o que acontece na Nigéria como um retrato do que acontece em outras partes do mundo. É a técnica literária da aldeia-mundo, ou seja, do microcosmo para o macrocosmo. Diferenças salariais, assédio e poucas mulheres em cargos de liderança são atualmente pauta da mídia quando ao assunto é ascensão da mulher no mercado de trabalho. Mas o Feminismo exposto pela autora não engloba apenas tais assuntos, mas todas as vertentes que dizem respeito ao feminino. Do lar ao ambiente de trabalho, ao direito de se viver em sociedade.

Por isso as exemplificações particulares. Certo ponto, a autora diz que os garçons são armas do patriarcado, pois eles, na Nigéria, nunca cumprimentam uma mulher, mesmo quando é elaque dá a gorjeta. Uma prática que certamente não acontece apenas lá. Chimamanda condena o machismo porque atinge ambos os sexos; de forma clara as mulheres, mas também outros homens que não se enquadram nas práticas machistas, e por isso são tratados como homossexuais ou fracos.

Para subverter tais práticas, a autora aponta uma nova Educação para meninos e meninas. Uma instrução igualitária, humanista, em que as crianças cresçam sem o regime psicológico que delega as profissões ou atividades domésticas de acordo com o sexo. Mais do que uma palestra ou livro excelente, Sejamos Todos Feministas é um convite para que aqueles que negam os problemas de gênero compreendam e aceitem discutir uma educação igualitária para o milênio. Feminismo é humanismo, é revolução. É urgente.

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