Resenha | Batman: Terra Um – Volume 2

Batman - Terra Um - Volume 2 - capa

O sucesso do primeiro volume de Terra Um de Superman e, posteriormente, Batman, promoveu continuações para esta nova cronologia. História ainda inédita no país, com lançamento futuro pela Panini Comics, Batman: Terra Um – Volume 2 dá continuidade aos acontecimentos vistos no primeiro volume, uma reinvenção de Geoff Johns equilibrando 75 anos de narrativas do Morcego através de uma visão própria.

Apoiado em um conceito mais realista, o roteirista explora um Bruce Wayne diferente. Como esta realidade é uma versão dentre os Multiversos da DC Comics, é interessante como esta trama, que se passa nos primórdios da carreira de Batman, se difere do canônico Batman – Ano Um de Frank Miller. Wayne é bem-sucedido somente em seu treinamento físico, faltando-lhe ainda técnica nas artes marciais e estratégia para abordar bandidos e investigar cenas do crime. Um espaço que permite maior presença de Alfred em cada incursão, como um guia que permanece na caverna dando-lhe apoio tático. Reconhecendo também sua ineficiência como detetive, a personagem pede ajuda a Gordon. Aspectos que diferem do Batman composto quase como um homem perfeito, dono de uma sabedoria e de um estudo quase infinito. O morcego se mostra motivado por sua missão, mas ainda limitado nas técnicas.

Batman - Terra Um Volume 2

Neste encadernado, dois movimentos conduzem a trama: surge em cena um novo personagem causando atentados em Gotham, sempre deixando uma charada no local, e a presença da família Harvey, representada pelo conhecido promotor distrital, Harvey Dent, e sua contra-parte, a irmã gêmea prefeita da cidade, formando uma dupla que deseja diminuir a criminalidade no município. Como Johns seleciona momentos específicos da mitologia do herói para sua trama, modificações estruturais podem ser inseridas para diferenciar-se das histórias tradicionais do Batman. Projetando uma série de referências para os leitores que conhecem tais histórias irem reconhecendo as fontes escolhidas para sua releitura. Os vilões que surgem parecem impressionar o Morcego, como se ele não estivesse totalmente preparado para personagens específicos focados em causar o caos. Um fator que promove maior insegurança para o Maior Detetive do Mundo.

Os desenhos de Gary Frank se destacam como na edição anterior, tanto no uso de cores bem equilibradas em cada cena, como nas sequências de luta, compostas com cuidado para que se compreenda cada movimento e também seja perceptível o quanto o repertório de Batman como um lutador ainda é limitado com os mesmos truques de sempre, evidenciando que o herói ainda precisa de maior treinamento com Alfred.

Sem a necessidade de fundamentar a origem como primeiro volume, a trama flui com melhor qualidade, apresentando novas personagens que terão maior participação em outros encadernados. Esta nova linha narrativa parece feita para leitores tradicionais e não necessariamente um novo público. Afinal, os leitores habituais reconheceram o rearranjo de Johns diante da mitologia para compor uma jornada diferente daquela que acompanhamos em diversas revistas, e parte do brilho da trama é a observação de que as próprias histórias da personagem são reinventadas em uma linha estrutural diferente, bem como em seu formato físico, com edições contendo uma história completa, e formato especial em capa dura (posteriormente, foram lançadas no exterior versões paperback em capa mole).

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