Resenha | Batman / Aliens

Batman - Aliens

Assumindo estar refém de uma sensação das mais básicas, o Cruzado Encapuzado declara ter medo ao analisar a questão que se avolumou. Tentando manter a aura de suspense, o Morcego já é mostrado se embrenhando em uma floresta, supostamente em uma missão. O roteiro de Ron Marz faz um resgate curioso, mostrando um visual semelhante ao do filme de John McTiernan, O Predador, por apresentar uma selva e inserir junto ao protagonista uma equipe de especialistas durões e marombados, que investigam um estranho caso.

Batman aportou no golfo do México, na fronteira da Guatemala com o México, para investigar um episódio curioso, cuja origem só é revelada após algumas páginas decorridas, uma vez que a Waynetch havia enviado uma equipe a tal lugar, já que obtinha negócios naquela região. É curioso o quanto Marz segura para mostrar o monstro, tentando guardar qualquer suspense ou surpresa de como seria o modus operandi dos Aliens. Toda a situação mostrada no filme original pensado por Dan O’Bannon se repete, mas sem qualquer expectativa de sustos.

Pior do que o modo vagaroso do qual a trama segue é o ataque grupal que os monstros fazem, bem mais cerebrais do que os mostrados nas abordagens cinematográficas. Na segunda parte, a narração volta aos primórdios, recontando a origem da tragédia do herói, mesclando-a com o temor de Batman com o Alien. A partir destes embates, a trama fica mais fluida e menos truncada, ainda que as lutas com os monstros não sejam nada demais.

O desenho de Bernie Wrightson está bem menos interessante do que nos idos dos anos 70, quando fazia a arte do Monstro do Pântano, de Len Wein. A regularidade cai vertiginosamente, pois nem mesmo o seu lápis é um diferencial na qualidade da revista. Tanto roteiro quanto desenhos são banais e dispensáveis.

Exceto pela última batalha do Morcego contra o Alien agigantado – fruto de uma “invasão” ao corpo de um crocodilo de proporções dantescas , quase não há condições de clímax. Através de uma manobra comum em sua carreira, Batman consegue vencer o oponente, fisicamente muito superior a ele, por meio do uso de traquitanas as quais ele sequer está acostumado a usar. O desfecho é covarde e clichê, com o paladino orfão usando a força de um elemento da natureza (a lava de um vulcão) para acabar com as últimas criaturas que ainda sobraram. Após retornar à casa, Bruce ainda se dá ao trabalho de fazer um discurso edificante, que põe em dúvida a origem do mal impingido pelas criaturas extraterrestres: se a ação seria somente uma resposta instintiva, como é com o tubarão, ou se a predação dos monstros seria perversa como a natureza humana. Nada que evidentemente resgate o crossover do ordinário.