Resenha | Batman: Faces da Morte

Em novembro de 2011, a DC Comics realizou um feito impensável até então para suas duas mais antigas publicações, Action Comics e Detective Comics, renumerando-as com novas “primeiras edições” sob o selo Novos 52. Detective Comics (cuja sigla nomeia a editora hoje) apresentou um novo arco de histórias do Batman, escrito e desenhado por Tony Salvador Daniel que lançou as bases do que viria a seguir nos próximos números. Diferente de sua revista irmã Action Comics, porém, Detective Comics não começou uma história do zero. Ao invés disso, seguiu mais ou menos a linha editorial que já vinha sendo estabelecida antes do evento Ponto de Ignição (Flashpoint), que redefiniu (também mais ou menos) o Universo DC. Aparentemente, em time que está ganhando não se mexe (muito), e a DC resolveu não rebootar (muito) o universo do Batman, da mesma forma que não alterou (muito) a cronologia do Lanterna Verde. (Esses “muitos” entre parênteses são mesmo necessários, pois embora Os Novos 52 apresentassem novas histórias e um reboot de vários personagens, Batman e Lanterna permaneceram praticamente intactos, com algumas mudanças sutis em suas cronologias.)

As primeiras sete edições foram compiladas em 2016 pela Panini em um volume de capa dura intitulado Batman: Faces da Morte. O encadernado acaba sendo um pouco confuso, pois apresenta algumas ideias e linhas de histórias que não se fecham. O maior exemplo disso é o Coringa, vilão que aparece na capa e na primeira história, mas não tem maior desenvolvimento além de um cliffhanger para uma edição futura (A Morte da Família), deixando toda  a pele de seu rosto arrancada e pendurada em uma parede. O vilão da trama é o Criador de Bonecas, que utiliza partes de pessoas mortas para recriar outras, como um Doutor Frankenstein moderno. Batman precisa salvar seu amigo Comissário Gordon das mãos do vilão e ainda lidar com a opinião pública no meio do caminho.

Na quinta edição, mudamos de arco e agora outro icônico vilão, o Pinguim, aparece… para também não ser o antagonista! Assim como o Coringa na primeira história foi apenas um chamariz de leitores, o Pinguim aqui apenas serve para estabelecer seu Cassino Iceberg como cenário para a caçada a outro vilão, o Pele de Cobra. Além disso, vemos o desenrolar de mais um interesse amoroso de Bruce Wayne que acaba servindo como vítima, sem surpresa alguma. Isso fica ainda mais banal se levarmos em conta que, na mesma época, um arco de histórias contra o Chapeleiro Louco também usa uma namorada como vítima para dar seguimento ao roteiro. Aparentemente, as mulheres do Universo DC continuam sendo colocadas na geladeira pelo “bem” da trama!

Batman: Faces da Morte não é um clássico do Homem Morcego e tampouco serve para iniciar novos leitores aos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas. Seu maior ponto positivo é a arte de Tony Daniel, sempre exuberante e garantindo o ritmo da ação, lembrando em muito os quadrinhos dos anos 90 nas quais o roteiro ficava sempre em segundo lugar.

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