Resenha | Eventos Semiapocalípticos: Eduardo e Afonso

Eventos Semiapocalípticos: Eduardo e Afonso é uma obra recente de Yoshi Itice, autor de quadrinhos desde 2010 e fundador do site/estúdio LoboLimão, no qual trabalhou até 2014, para pouco tempo depois se envolver com trabalhos em outros dois projetos de quadrinhos: Manjericão e La Gougoutte – sendo o primeiro, seu estúdio próprio, e o último, um selo de quadrinhos que mantém ao lado de Bianca Pinheiro, Alexandre Lourenço e Greg Stella. Itice foi responsável pelo quadrinho independente Batsuman: Ano Um (e dois também), financiado coletivamente através do Catarse, em 2016. Eduardo e Afonso surge da mesma forma, e a ideia da dupla de personagens que serve de subtítulo para a publicação aconteceu de forma simples, quando o autor voltava do trabalho, evoluindo pouco a pouco todo o conceito da trama com o mundo devastado, ou melhor, semi-devastado.

Eduardo anda por um cenário desolado, arrastando com uma corda amarrada em sua cintura um objeto estranho, parecido com uma máquina de lavar. É na verdade Afonso, uma secadora elétrica. A referência ao mangá/anime Fullmetal Alchemist, aparentemente, vai além do título do quadrinho. As conversas entre os dois são engraçadas e repletas de tiradas com humor ácido, simples e direto. Eduardo é um sujeito amoroso e paciente, enquanto Afonso é chato, boca suja e um tanto niilista. A química entre os dois funciona, e é curiosa por isso, pois são pessoas tão diferentes entre si. Até quando ha o acréscimo de um terceiro elemento, a jovem Gabriela, a interação dos personagens muda, com Afonso se tornando ainda mais temperamental, orgulhoso e ciumento.

O traço de Itice é simples, remetendo as tiras de humor que saiam nos jornais, na seção infantil das antigas versões do Globinho impresso, e esse estilo de desenho cabe muito bem com o roteiro proposto. A forma como o lúdico e o caráter irônico se misturam na trama impressiona, dado que há espaço para o desenvolvimento de ambos os aspectos. Além disso, os personagens compensam com humor o fato das poucas páginas desse primeiro volume não ter muito tempo para desenvolver todas as suas características.

O final soa agridoce, relatando um pouco da origem de Afonso e de sua transformação em uma secadora, abrindo possibilidades de diversas interpretações e teorias. O desfecho desse primeiro volume tem uma certa melancolia, mas o autor equilibra esse ponto no bom humor da obra e ainda desenvolve um herói rico em bondade e perseverança. Eventos Semiapocalípticos: Eduardo e Afonso termina com um vislumbre de um futuro sem soluções fáceis, mas ainda com uma ponta de solidariedade e otimismo.

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