Resenha | Homem-Aranha: Funeral para Octopus

Em paralelo as edições mensais dos quadrinhos da Marvel, os especiais sempre foram uma estratégia do estúdio para lançar um material extra, aproveitando-se de ocasiões especiais ou de personagens com alto índice de venda. Não se trata de um conceito recente, ainda que, em décadas anteriores, muito material lançado no exterior como especial foi inserido em mensais pela Abril Jovem em seu formatinho.

Havia, no entanto, ocasiões especiais que as histórias eram vendidas da mesma maneira que seu original, como Homem-Aranha: Funeral Para Octopus lançado em um longínquo 1997, em Grandes Heróis Marvel, 1ª série, nº 56, pela Abril. Reler atualmente um formatinho é, inevitavelmente, uma leitura nostálgica, principalmente se o leitor se iniciou nos quadrinhos por estas edições de preço acessível para a época. Mesmo que se tente evitar qualquer elemento nostálgico, era um momento interessante nos quadrinhos do Brasil em que um colecionador podia comprar tudo o que quisesse do eixo Marvel/DC Comics sem gastar muito. Os tempos eram outros, evidentemente. Mas muitos se lembram desta época com carinho.

Dito isso, a história em questão se passava durante a difamada Saga do Clone. Reclamada por muitos leitores mas que produziu, durante a participação de Ben Reilly nas histórias, uma interessante dinâmica entre dois Aranhas. Histórias que não são épicas mas divertiam pela composição aventureira e, normalmente, bem humorada. De fato, se fosse preciso definir essa história em poucas palavras, diversão seria a palavra fundamental.

Embora a década de 90 tenha produzido muitas histórias estranhas em diversas revistas, em linhas gerais, as edições de Homem-Aranha conseguiram manter a tônica de histórias leves e mais aventureiras do que outras versões posteriores que aprofundaram os dilemas vividos por Peter Parker. Na trama, Otto Octavius foi assassinado e Peter Parker decide descobrir quem foi seu assassino. Há um senso de justiça e gratidão no heroi, pois, o velho Oquinho foi responsável por salvá-lo em um momento anterior. Demonstrando como Octavius sempre foi um personagem dúbio, um vilão intelingente e carismático.

Dessa forma, enquanto Peter se encarrega em descobrir os fatos por trás da morte de Otto, Ben Reilly tenta destruir a nova reunião do Sexteto Sinistro. Trata-se de uma história simples, divida em dois polos narrativos, recurso comum na época em que havia os dois Aranhas. Difícil analisar se o fator nostalgia não carrega um pouco as tintas da aventura ou se a linearidade da história produz uma trama simples mas divertida. Há o básico do herói em cena, as boas cenas de luta, piadas non sense inseridas durante a ação e isso é suficiente para uma boa aventura. Interessante notar que há uma cena em que Peter utiliza um dos aparatos de Octopus para derrotar os vilões. Na época, seria inimaginável que Dan Jurgens utilizaria o arqui-inimigo do Aranha como personagem central de uma história, ao trocar seus corpos em uma estranha história chamada Último Desejo, uma transição do Homem-Aranha tradicional para o Homem-Aranha Superior, interessante fase de Dan Slott a frente do título do teioso.

Homem Aranha: Funeral para Octopus é uma história fechada, portanto, fácil de ser lida fora da cronologia. Lida com distanciamento temporal de sua época, é evidente as diferenças de estilo narrativo. Porém, a essência de Peter Parker está presente e resulta em uma boa e breve leitura. Agrada e mata a saudade nostálgica das pequenas edições brasileiras da adolescência de muitos leitores (este incluso).