Resenha | iZombie – Volume 1: Morri Para o Mundo

I Zombie - Capa - Vol 1

Lançado em 2010 a 2012 no selo Vertigo, iZombie foi lançado no país em quatro edições encadernadas pela Panini Comics, atendendo a uma demanda de leitores que pediam novas publicações do selo concomitantemente ao relançamento de histórias clássicas e aclamadas pelo público. Criada por Chris Roberson e Michael Alfred, a HQ chega em sintonia com a série lançada pela CW.

Ainda que identificados em diversas culturas como parte de seu universo mítico, os zumbis se tornaram representantes do panteão de monstros lendários,  sendo a visão de George Romero e sua crítica à sociedade fundamental para o alcance desta figura. Como personagens que sempre atraem o público, independente do estilo narrativo, os mortos-vivos se mantêm sempre em destaque. Recentemente, a série The Walking Dead e paródias como Zumbilândia e Como Sobreviver a um Ataque Zumbi comprovam esta afirmação.

O primeiro compilado da série apresenta os cinco primeiros números mais uma edição extra publicada dentro de um especial da Vertigo para apresentar as personagens. A trama alinha em uma mesma narrativa diversas personagens do universo de terror como fantasmas, vampiros, zumbis e uma organização responsável por caçá-los durante séculos. O ambiente é semelhante àquele desenvolvido por Alan Ball em True Blood, adaptação da série de livros de Charlotte Harris, que inseriu lendas diversas em uma mesma narrativa para reestruturar e apresentar uma nova visão a partir dela.

A trama acompanha a outrora adolescente Gwendolyn “Gwen” Dylan, a qual revela aos leitores ter se transformado em zumbi. Como personagem principal, a garota narra os acontecimento e apresenta seus amigos, tanto aqueles de origem monstruosa, quando os parceiros do trabalho como coveira. O primeiro arco apresenta os diversos personagens definindo contornos para os vilões, diante de um mundo em que algumas regras tradicionais sobre estes seres monstruosos serão redefinidas.

A história falha em sua composição, sendo mais didática do que narrativa ao desenvolver as personagens e o universo sem um primeiro ato bem definido. Baseando-se somente na leitura, não é possível saber se a história é paródica ou não, mas é preponderantemente mais suave do que as narrativas maduras popularizadas pela Vertigo. Os personagens são inseridos em uma rotina normal como se não fossem monstruosos, um recurso interessante para fugir do estereótipo de personagens trágicos. Porém, a tônica juvenil é incapaz de apresentar qualquer bom personagem, neste primeiro momento.

Nada parece, de fato, inédito, mas sim apoiado em uma tradição de narrativas de referência que foram mais bem-sucedidas em sua composição. O apelo juvenil é tão aparente que a série adaptada foi desenvolvida para este público como uma alternativa possível do mesmo argumento mas sem a temática séria – e soporífera – da história baseada na HQ de Robert Kirkman. Diante de tantos lançamentos de quadrinhos no país, o primeiro número de iZombie não carrega força suficiente para conquistar o leitor em definitivo. Se observamos somente os lançamentos Vertigo no país, os clássicos ainda valem mais pelo custo-benefício.

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