Resenha | Jaco: O Patrulheiro Galáctico

Akira Toriyama se tornou conhecido pela obra Dragon Ball. Além disso, ganhou um certo reconhecimento por Doutor Slump, obra essa mais ligada ao humor. Jaco: Patrulheiro Galáctico, consegue mesclar um pouco desses dois universos do autor. O mangá teve onze números e mostra a história do personagem-título, narrado por um cientista misterioso – que o leitor não sabe quem é num primeiro momento.

Na trama, somos apresentados a estranha nave de Jaco chegando a ilha do narrador, em vias de ser consumida por um tubarão gigante. O narrador é um velho engenheiro, que a princípio não acredita que Jaco seja um alienígena, tampouco que ele tem toda a pompa que diz ter, e acha estranho tanto a composição do veículo quanto a aparência do extraterrestre, que remete demais ao visual dos tokusatsus, em especial Ultraman, Ultraseven e o restante da família Ultra.

Jaco revela que sempre existiu pesquisas extraterrestres na Terra, e uma em cada 100 mil moscas são robôs de pesquisa, e por isso ele sabe alguns dados do planeta, como por exemplo os alimentos terráqueos que se parecem com os seus. O velho se apresenta, com o nome de Oomori, e uma das primeiras perguntas que faz para o ser mais evoluído é se é possível viajar no tempo, recebendo a resposta de que há uma lei galáctica muito rígida que proíbe tais viagens.

Oomori é um sujeito solitário, trabalha na tal ilha e graças as condições do local acabou perdendo sua amada enquanto ali vivia. O fato de ninguém do governo – para quem trabalhava – ter lhe dado qualquer ajuda com sua a situação o tornou cético, e ele fala a Jaco que a humanidade tem muitos homens maus, fato que faz o patrulheiro não lamentar então a vinda de um alienígena que chegará a Terra.

O quadrinho além de possuir um humor bem ácido, também carrega um conjunto de referências muito grandes. A composição de 38 patrulheiros espaciais faz lembrar um pouco da Tropa dos Lanternas Verdes, assim como a insegurança de Jaco com sua baixa estatura faz lembrar um bocado dos receios de Goku e Kuririn no início da série Dragon Ball. Mas o mangá também mantém vivas questões críticas ao governo e a grandes corporações, a descrença de Oomori deixa de parecer paranoia para se tornar algo maior, com a ordem do governo para que ele se retire da ilha – o mesmo local onde está o túmulo de sua falecida esposa e também de seus projetos de construção de uma máquina do tempo.

O ritmo de leitura da revista é bastante dinâmico, Toriyama dosa bem as revelações com as conversas entre os personagens centrais. Os acontecimentos são revelados aos poucos, dando tempo do leitor digerir os acontecimentos, assim como o humor ocorre na medida certa. O último número, ao contrário dos outros, é repleto de revelações bombásticas, inclusive com referências diretas à Dragon Ball.

A  revista não é refém dos produtos anteriores, e na verdade até alimenta a mitologia da série maior, não só com eventos óbvios como com a chegada dos saiyajins a Terra, mas também ao explicar que um intercâmbio de tecnologia pode ser a fonte da genialidade e riqueza da Corporação Cápsula, e toda sua fortuna e influência. A construção do ideário dos personagens é interessante, Oomori é um sujeito rabugento mas dócil e prestativo apesar da sua idade, além de muito inteligente, Jaco é engraçado e orgulhoso e Tights é descolada e assertiva. Cada um dos três tem personalidade e tempo para desenvolver seus dramas e vontades, e por mais que exista um sem número de referências a outras obras de Toriyama, há  também muita personalidade e graça nessa história do membro da elite da patrulha galáctica. 

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