Resenha | Magneto – Testamento

Magneto - Testamento

Pertencentes à primeira série de cinco encadernados lançados pela Panini Comics, com um preço econômico devido a impressão no exterior, além de um pôster que forma um painel com diversos heróis da Marvel em conjunto, as edições escolhidas para esses especiais apresentam histórias fechadas de personagens específicos, releituras sob pontos de vista diferenciados proporcionando uma aventura diferente da tradicionalmente apresentada pelos gibis de linha.

Greg Pak desenvolve a trajetória de um dos grandes vilões do estúdio, o mutante Magneto. Focado inteiramente em sua juventude, Magneto: Testamento resgata a sua origem natural antes da manifestação de seus poderes mutantes. Dentre as diversas boas genealogias de personagens da Marvel, a composição de Erik Lehnsherr é uma das mais intensas, apoiada em um contexto histórico. De família judia vivendo na Alemanha, o garoto presenciou os horrores da Segunda Guerra Mundial, participou de campos de concentração como Sonderkommando e viu sua raça ser dizimada por um regime violento, sobrevivendo até fugir do campo no final da guerra. Todo o ódio e fúria que Magneto sente, pelos humanos que desejam matar os mutantes, estabelecem um paralelo com sua própria infância e com o embate alemão e judeu, uma explicação que está no cerne da composição dos quadrinhos de X-Men.

As cinco edições desta história apresentam os anos modificadores na vida de Erick com base nos acontecimentos históricos, desde as primeiras violências cometidas contra os judeus até as leis de Nurenberg que transformavam os cidadãos judeus/alemães em párias da sociedade, com realocação de seus habitantes até a locomoção para campos de concentração.

Qualquer traço de poderes especiais ainda é latente na personagem, fazendo desta história um reflexo da própria história mundial. O registro confere realidade a Magneto e passa a mensagem para leitores que nem sempre estão próximos desse tipo de contexto histórico.

O traço de Carmine Di Giandomenico, responsável pelas duas edições Noir de Homem-Aranha, se destaca devido às cores de Matthew ‘Matt’ Hollingsworth. Utilizando uma paleta de meios-tons simbolizando o aspecto cinza, refletindo os sentimentos dos judeus, o ambiente melhora os traços um pouco cartunescos que, às vezes, parecem exagerados e fora de tom com o estilo da narrativa, com personagens de olhos esbugalhados ou exageradamente interpretados.

Bem equilibrado entre uma narrativa histórica e a fundamentação de um personagem, Testamento é uma bonita origem de uma figura oriunda de um período nefasto da história, um dos princípios que dá credibilidade e compreensão aos atos de Magneto durante sua trajetória nos quadrinhos.