Resenha | Marvel Especial 18 – Marvel 2099

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Mesmo com mudanças editoriais polêmicas que resultam em baixas vendas ou em protestos dos leitores, a Editora Marvel nunca parece arrepender-se ou envergonhar-se de suas grandes sagas, promovendo releituras e homenagens em edições especiais.

Em 2007, a personagem Massacre, que originou a saga Massacre Marvel, ganhou uma edição especial comemorativa (no Brasil, publicado em Marvel Apresenta nº 36) de dez anos da série, com o lápis do mestre Rob Liefield. A conturbada Saga do Clone do Homem Aranha, que durou dois anos entre 1994 e 1996, foi revista por seu roteirista em um especial em 2009 (no Brasil, publicado em A Teia do Homem-Aranha nº 4) que apresentava uma edição editada e definitiva da história do Aranha Escarlate.

Lançado em 1992, a Marvel 2099 era uma nova linha editorial da Casa das Ideias que explorava, em um futuro próximo, um universo alternativo que retomava a base dos heróis conhecidos em uma nova roupagem, apresentando novas personagens. Era uma maneira dos leitores consumirem quase os mesmos personagens e lerem um mundo diferente do habitual.

Lançado em 2009 e publicado no país em Marvel Especial nº18, o universo 2099 é retomado em uma série especial em quatro partes acrescidas de duas edições únicas de Homem Aranha e Wolverine.

A história tem como ponto de início o batido conceito da viagem no tempo. Jake Galows, o Justiceiro de 2099, viaja para o tempo presente a fim de prender diversos heróis por seus crimes e acaba enviando Wolverine e Homem Aranha para o futuro distópico de onde saiu. O resultado é a possível destruição do fluxo do tempo, que deve ser parada antes que seja tarde.

Como costumeiro em diversas séries do estúdio, estão presentes como destaque as duas estrelas mais conhecidas do time: Wolverine e Homem Aranha. Os mesmos heróis estrelaram, em 2010 (no Brasil, publicado em Grandes Heróis Marvel, Panini Comics, nº 1 e 2), uma série em conjunto em que também eram deslocados do espaço/tempo presente e caíam em uma terra desconhecida.

As personagens são as cartas coringa do estúdio que, em qualquer história em que desejam aumentar as vendas, realizam uma participação dos heróis. Não à toa, já foi constatado que, em alguns meses, Wolverine aparece na capa de mais de vinte edições da casa.

Como costumeiro em edições especiais de releituras ou homenagens a sagas, o roteiro é composto de maneira burocrática somente para agradar os fãs já iniciados nas histórias. As personagens surgem em excesso e um conflito mínimo – o encontro de passado e futuro em um mesmo tempo cronológico – termina de maneira abrupta na última edição.

Não que não haja uma base que sustente a história. Mas ela é tão similar a diversas outras histórias do estúdio, que permanece sem destaque. As duas edições solo de Homem Aranha e Wolverine são um pouco melhor executadas, mas, novamente, apresentam o estilo costumeiro que conhecemos. Resultando em uma leitura que não chega a ofender pela qualidade rasteira, mas que será esquecida logo após o término.