Resenha | Peter Parker Especial: Homem-Aranha – Amazing Fantasy

Chip Zdarsky ganhou notoriedade na indústria dos quadrinhos ao desenhar Criminosos do Sexo, em parceria com Matt Fracion, pela Image Comics (publicado no Brasil pela editora Devir). Ao migrar para a Marvel, contudo, o artista ganhou espaço também como escritor, e dentre os títulos que já assumiu na Casa das Ideias, podemos destacar Peter Parker: The Spectacular Spider-Man. O título começou a ser publicado por aqui na mensal O Espetacular Homem-Aranha #22, e posteriormente, ao chegar à fase Legado, foi segmentado em dois encadernados em capa cartão, intitulados Peter Parker Especial: Homem-Aranha.

Nesse primeiro encadernado, Amazing Fantasy, Zdarsky coloca o herói aracnídeo em uma viagem no tempo, buscando meios de impedir uma invasão alienígena possibilitada pelo vilão conhecido como Consertador. Para essa missão incomum, Peter conta com uma “equipe” exótica, composta por sua irmã Teresa Durand e seu outrora inimigo e agora aliado, J. Jonah Jameson, que nas edições anteriores do título acabou descobrindo que Peter é na verdade o herói aracnídeo que por tantos anos perseguiu.

É bem curioso ver o Peter do presente atuando junto ao Peter do passado, Zdarsky confere uma dinâmica semelhante às de sitcoms para os diálogos entre as duas contrapartes, marcando de forma bem clara a diferença de maturidade e experiência entre os dois, enquanto revisitam eventos do começo de carreira do Amigão da Vizinhança.

As tramas de viagem no tempo comumente apresentam alterações drásticas na cronologia, gerando realidades alternativas cada vez mais díspares daquelas que conhecemos originalmente, e nessa história isso não é diferente. Os atos de Jameson, Peter e Teresa acabam por modificar a forma como os fatos se desenrolam nessa linha do tempo, alterando a descoberta de Norman Osborn como o Duende Verde e sua subsequente vingança contra os Peters Parkers, além da própria percepção do jovem Peter em continuar como o Aranha, diante das perspectivas de futuro que viu em sua contraparte mais velha.

A arte de Joe Quinones é um ponto alto da HQ, trazendo em seus traços limpos e expressivos a leveza necessária para a proposta da trama. As referências visuais dentro da história são bem interessantes, como a reprodução de cenas clássicas das histórias do herói, o emprego da roupa usada por Parker na animação clássica do Aranha nos anos 90, por parte do Peter mais velho, bem como a presença de Jessica Jones como estudante do Midtown High.

Em seguida, temos o retorno de Andy Kubert à arte, na sequência que mostra o retorno do trio ao que imaginam ser seu “presente”, encontrando uma realidade bem diferente da que deixaram anteriormente. Descobrindo que na verdade retornaram para o futuro da linha temporal que haviam visitado anteriormente, os personagens se deparam com um mundo no qual Peter e Gwen são cientistas, casados e ricos, vivendo em um EUA governado por Harry e Norman Osborn. Nessa realidade, o jovem Peter cresceu desiludido com o futuro que lhe aguardava, ao ouvir uma conversa do Peter mais velho com sua irmã Teresa, e deixou de ser o Homem-Aranha.

Auxiliados pela Gwen dessa realidade, Peter, Teresa e JJJ se encontram com a “Resistência” do lugar, liderada por Steve Rogers e Stephen Strange. Desse ponto em diante a narrativa de Zdarsky entra no piloto automático, perdendo muito de seu charme inicial e enveredando por uma trama clichê e desinteressante de viagem no tempo, recuperação do heroísmo e valorização da figura do Homem-Aranha no mundo. De ponto notável dessa parte, temos apenas a aparição do uniforme usado pelo herói aracnídeo em seu jogo mais recente para PlayStation 4.

A escolha editorial da Panini mostra-se discutível, uma vez que o grande mérito do encadernado, a relação de arrependimento de JJJ em relação aos seus atos contra o Homem-Aranha no passado, acaba sendo decorrente de histórias publicadas na revista mensal do personagem, e não dentro de uma publicação própria para o título de Zdarsky. A sensação de leitura picotada será inevitável, para os leitores que não estavam acompanhando simultaneamente a revista do Cabeça de Teia.

Contendo 116 páginas, o encadernado em capa cartão apresenta uma trama inconstante, com acertos pontuais e clichês já batidos até mesmo para o cíclico universo de super-heróis de Marvel e DC. Se as primeiras edições revisitam o período áureo do personagem sob a batuta de Stan Lee, a parte final em muito lembra as batidas e fracas tramas dos anos 90.

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